Texto bom para quem quer uma leitura rápida, para quem não tem muita paciência com a literatura mais convencional, para quem gosta do tradicional mas também se arrisca na busca por novas linguagens, para quem nunca leu um autor oriental e para quem está a procura de diversão. Por essas e outras vale se aventurar por ‘‘Sayonara, gangsters’’, de 1982, primeiro livro do japonês Genichiro Takahashi traduzido para o português e publicado no Brasil no ano passado.
  Com o lirismo de uma história narrada por um professor de poesia, o livro insólito tem passagens que beiram a filosofia como no episódio em que os quatro gangsters, ‘‘Calado’’, ‘‘Baixinho’’, ‘‘Gorducho’’ e ‘‘Bonitão’’ decidem ter aula de poesia e questionam o professor sobre ‘‘o que significa esse negócio de aula, afinal?’’. O professor responde que significa refletir sobre a verdade. ‘‘Apenas refletir? E para que serve refletir?’’, pergunta o aluno. ‘‘Não adianta para nada, eu presumo’’, é o que obtém como resposta. ‘‘E a aula é para refletir sobre algo que não vale nada?’’, estranha o gangster. ‘‘Exatamente’’, confirma o professor. ‘‘E você quer me convencer que esse é seu trabalho?’’. O diálogo segue, imperdível.
  Assim como as aulas de poesia de ‘‘Sayonara, gangsters’’ – nome dado ao professor pela namorada, como era costume na época em que se passa a história – o livro é também (como não poderia deixar de ser) um estímulo à reflexão, além de muito divertido.
  Sayonara, gangsters. Genichiro Takahashi, tradução do japonês de Jefferson José Teixeira. Ediouro, 2006, 295 páginas. Nas Livrarias Curitiba o preço é R$ 39,90.

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