Denise Ribeiro
Equipe da Folha
  Ricardo Somocurcio, narrador das Travessuras da Menina Má, de Mario Varga Llosa, é um peruano nascido na década de 50 no bairro de classe média Miraflores, em Lima, que como muitos jovens brasileiros da atualidade sonhava em sair de seu país para viver na Europa, no caso dele em Paris. Também a menina má, que ele conheceu na infância, saiu do Peru para protagonizar aventuras transatlânticas.
  A exemplo da própria experiência do autor, peruano que mudou-se para Paris na década de 60, os personagens enfrentam as dificuldades impostas a um estrangeiro na Europa, bem como vivenciam o que só grandes metrópoles como as capitais francesa e inglesa oferecem. Embora o fio condutor da história seja a série de encontros e desencontros dos dois conterrâneos, a obra oferece ao leitor um rico conjunto de dramas pessoais representativos de importantes momentos históricos como a Revolução Cubana, o golpe militar no Peru em 1968 e suas conseqüências, o movimento hippie com suas ‘‘noites de música pop, erva e sexo na ‘swinging London’’’ e o surgimento da Aids.
  A história de amor de ‘‘Ricardito’’ pela menina má atravessa mais de três décadas e passa ainda pela desconsertante Tóquio e pela efervescente Madri, abordando também temas como a solidão, o medo, a amizade e o tédio.
  Travessuras da Menina Má, Mario Vargas Llosa, tradução Ari Roitman e Paulina Wacht, 302 páginas, Objetiva, 2006. Nas Livrarias Curitiba, o preço é R$ 39,90.

mockup