Além de ser a primeira criança oficialmente batizada pela Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Londrina, Idavina é parte viva da história da cidade. Hoje com 71 anos, ela vive com o marido Ricardo Malchiaffava, de 76 anos, em uma bela casa na Rua Paes Leme, na Vila Brasil (região central).
Na última quinta-feira à tarde, depois que o museólogo Ninger Marena esteve na Folha para mostrar o 1º Livro de Registro de Batizados da Paróquia de Londrina, fiz uma pesquisa básica na lista telefônica e encontrei o sobrenome Malchiaffava. Liguei, dei sorte. Seo Ricardo atendeu.
Na casa deles, conversamos durante algumas horas. Foi possível verificar que o casal vive em plena harmonia e felicidade. São quatro filhos - Ronaldo formado em Arquitetura, Rosângela (Direito), Rosana (História) e Roselaine (Administração de Empresas) - e seis netos. ''Nos reunimos todos os finais de semana'', disse seo Ricardo. ''Somos uma família muito feliz'', completou dona Idavina.
Os pais dela nasceram no interior de São Paulo e vieram a Londrina com a construção da estrada de ferro. O pai trabalhou na Companhia de Terras e também em serrarias. Idavina nasceu em Nova Dantzig (Cambé), foi batizada na Matriz de Londrina (atual Catedral) e nunca mais deixou a terra vermelha. ''Gosto muito de Londrina, aqui conheci meu marido, criei meus filhos, estou vendo meus netos crescerem, não há lugar melhor.''
Seo Ricardo veio de São Joaquim da Barra, também interior paulista, em 1951. Desde pequeno trabalhando na roça, ele agradece à mãe Benedita por tê-lo colocado na escola e insistido para que estudasse. Em Londrina, trabalhou com carpintaria, marcenaria e, em 1957, entrou para a empresa elétrica, que mais tarde viria a ser a Companhia Paranaense de Energia (Copel). Está aposentado há 10 anos como técnico sênior do sistema.
Sempre morando e trabalhando na cidade, os dois viram Londrina crescer e participaram deste desenvolvimento. Quando solteira, Dona Idavina trabalhou de babá, ajudando a cuidar das crianças para que os pais delas pudessem construir a cidade. ''Era muita poeira, muito barro, não havia luz, água encanada, tudo era muito difícil. Mas agora, olha só que cidade grande!''
Trabalhando na empresa elétrica, seo Ricardo lembra dos geradores a diesel, das usinas Cambezinho, Três Bocas, Apucaraninha e Salto Grande (Ourinhos/SP). As luzes eram fracas. ''Participei do crescimento de Londrina, eletrificando a cidade, vendo tudo acontecer através do trabalho.''
Dona Idavina gosta de lembrar do tempo em que era estudante, no Hugo Simas e no Champagnat. Também fica sorridente ao falar das reuniões de finais de semana dos jovens na Avenida Paraná, o chamado ''footting''. As moças passavam de um lado e os rapazes de outro, todos se olhando e paquerando. Foi em um destes passeios que Ricardo e Idavina se conheceram. ''Namoramos durante quatro anos, depois casamos e estamos unidos até hoje.'' (D.G.J.)

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