Hotéis são parte da história e da vida social londrinense
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de setembro de 2004
Jacira Werle<br>Reportagem Local 
Hotel Berlin, Fraz Hotel, Hotel dos Viajantes, Hotel Londrina, Sahão, Coroados, Ferraretto, Igapó... Muitos. Os hotéis hospedaram fragmentos da história da cidade. Primeiras pousadas, e principal acolhedouro dos que chegavam, hotéis e pensões guardam segredos de negócios e negociatas; decisões políticas que construíram a trajetória da cidade; quando não, simplesmente a mudaram. Hotéis guardam segredos de gente graúda, celebridades que vieram e voltaram. Ficaram.
O Bourbon é um caso desses. Políticos importantes e celebridades passaram por aqui. Ainda passam. Hotel de reis, como Roberto Carlos e Pelé. Não é, com certeza, dos mais antigos, mas, fez história. A fachada ainda é a mesma, entretanto, já no hall os ares comprovam as reformas. Aos 41 anos, nascido em Londrina, o Bourbon cresceu e ganhou mercados. Um empreendimento familiar que, segundo um dos donos, José Roberto Vezozzo, teve a expansão calcada no trabalho de longa jornada. O hotel é um dos mais tradicionais da cidade e cresceu com ela. Ponto de encontro da sociedade local, também foi um dos principais estabelecimentos freqüentados por ilustres. É um dos mais antigos em atividade, ao lado do e dos já extintos.
O quatro estrelas nasceu da idéia de um visionário, Caetano Vezozzo, conta um dos filhos dele, José Roberto, hoje à frente dos negócios. Natural de Cambará (22 quilômetros a noroeste de Jacarezinho), Vezozzo pai trabalhava com construção civil, além de ter loja de material de construção. Ele tinha um tino comercial muito grande. Comprou este terreno aqui em Londrina para algum dia inventar alguma coisa, lembra José Roberto. O algum dia chegou em 1964 quando o Hotel Bourbon foi inaugurado. O nome Bourbon foi tirado de uma espécie de café cultivada na época e a idéia foi do próprio Caetano Vezozzo.
Modesto em dizer que não é bem assim, José Roberto conhece cada funcionário pelo nome, sabe a história de cada suíte e parece ter herdado, pelo menos parte da visão empresarial do pai. Com a experiência de quem conheçe o negócio onde está inserido, ele explica que faz parte do sucesso traçar metas e persegui-las.
Formado em odontologia, José Roberto trabalhou durante dois anos nessa atividade até optar pela direção do Bourbon. Assumi em 1968, nós da família sentamos e alguém precisava chefiar o trabalho no hotel. Não me arrependo de ter escolhido a hotelaria, reforça.
Para quem avalia que no Brasil tudo é difícil, você precisa adivinhar um pouco, nos mais de 40 anos, a empresa londrinense consolidou o nome e expandiu-se para cidades como Foz do Iguaçu, Curitiba e São Paulo, conta José Roberto.
A modernidade do Bourbon se confirma em cada detalhe, desde a macaneta com cartão magnético à moderna lavanderia controlada por circuitos digitais. O nosso hotel tem 40 anos mas nada é dessa época. A readequação faz parte da rotina, confirma.
José Roberto mostra uma suíte toda em tom azul. Segundo ele, a adequação do local foi feita para atender ao cantor Roberto Carlos nas vezes que veio a Londrina. Quando iríamos receber um cliente importante ligávamos para a secretária dele perguntando que tipo de vinho ele estava tomando ou o que gostava de comer. A partir daí colocávamos uma garrafa do vinho apreciado no quarto. O cliente ficava feliz ao saber que o hotel adivinhou o que ele gostava, revela.
Ter como hóspedes pessoas ilustres da área cultural, política e esportiva são, para José Roberto, parte da rotina do hotel. Sempre foi um importante ponto de encontro de todos os segmentos. É difícil citar nomes, porque foram muitos, mas os políticos, por exemplo, como governadores, deputados, senadores sempre nos prestigiaram, relembra. Com certeza, decisões importantes para a cidade, de políticos e empresários, devem ter sido tomadas em encontros aqui no hotel, acrescenta.
Segundo ele, as gentilezas cativam a clientela, no entanto, com a mudança dos tempos, o atendimento personalizado teria diminuído. Agora existe uma padronização maior no modo de atender, declara. Com a maioria dos hóspedes sendo pessoas de negócios, o administrador, assegura que um serviço competente garante o retorno dos fregueses. Em uma atividade onde o retorno do investimento demora dois anos, o trabalho não cessa nem no final de semana, encerra. Ainda mais, segundo ele, em uma época de crise econômica em todo o País. Caminhamos a passo curto, com muita dificuldade, constata o proprietário do Bourbon.


