A Secretaria de Saúde de Curitiba parece ter ciência do problema e diz que está implementando na capital o primeiro Hospital Municipal de Gerontologia do Brasil. O projeto conta com 100 leitos de internação, dez de terapia intensiva (UTI), 15 leitos de atenção intermediária, duas salas cirúrgicas de médio porte e setor de urgência. Tudo para agilizar o atendimento dos idosos -que respondem hoje por 16,3% das internações no Sistema Único de Saúde (SUS). O hospital deverá contar ainda com tomografia computadorizada, radiologia, ecografia, colonoscopia e endoscopia digestiva alta. Dez veículos estarão à disposição da equipe da unidade para acompanhamento domiciliar dos pacientes que receberam alta.
As obras do novo hospital ainda não iniciaram e não têm previsão de começar. O projeto está em fase de licitação. Ele deve contar com 10 mil metros quadrados. Enquanto o hospital não é construído, os idosos têm a opção de serem atendidos na Unidade de Atenção ao Idoso Ouvidor Pardinho. Muitos reclamam. Mas a unidade de saúde é especializada em atendimentos à terceira idade. A responsável pela unidade, Cristina Ferraz, trabalha diariamente com os problemas e as reclamações dos idosos. A unidade não oferece apenas atendimento à saúde. Ela tem atividades físicas diversas que vão desde a prática de atividades desportivas até a hidroginástica e a hidroterapia.
Ela relata que ouve muitas reclamações sobre a violência em Curitiba. Até mesmo dentro dos equipamentos públicos. Um abaixo-assinado foi feito por frequentadores da unidade para tirar uma linha de ônibus de frente da Praça Osvaldo Cruz porque ela passava em locais afastados e com registro de maior violência. ''Tentamos conversar com eles aqui e orientamos que eles precisam se preocupar não só com a sa© úde, mas com a qualidade de vida - que é a melhor forma de manter a saúde. Exatamente por isso oferecemos yoga, meditação, francês, japonês, pintura em tela. Temos que promover aqui a integração das pessoas'', salienta.
Cristina contorna dezenas de reclamações diárias sobre a demora no atendimento. ''Todas as pessoas querem que seu problema seja resolvido o mais rápido possível. Para uma mãe até a caspa do bebê é uma urgência. A gente conversa com o idoso. Nem sempre conseguimos resolver o problema dele na primeira consulta. São problemas de saúde que se arrastam há tempos e que precisam de respostas lentas para serem mais prolongadas. A gente mostra para eles que não vão entrar aqui como se fossem um carro e depois da consulta vão sair zerados. Não é uma pílula dourada a consulta com um geriatra. Para ter bons resultados, eles precisam entender que terão que fazer um conjunto de coisas que vão desde a ingestão de remédios até exercícios físicos diários'', revela.
Qualquer idoso pode participar das atividades da Unidade de Saúde. Mesmo que more em bairros afastados. O único inconveniente é ter que enfrentar novas filas para conseguir vaga em uma das atividades ofertadas. ''Tem fila de espera. Mas não demora muito. As atividades que mais têm demanda são as com água. Estas geralmente precisamos de uma desistência para encaixar outra pessoa que esteja na fila'', alerta. (L.P.)

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