Quem conhece a história do Hospital do Câncer de Londrina e convive com a realidade dos pacientes que por ali passam entende a importância que a instituição tem para a cidade e para os pacientes da região. São cerca de 800 atendimentos diários, além dos mais de 5 mil prontuários abertos de pessoas em tratamento ou prestes a deixar o hospital. Para uma obra que começou há 45 anos, sem estrutura alguma e com o objetivo de ser apenas um ambulatório, a instituição tem se superado a cada ano e sustenta hoje uma realidade estabelecida de maneira que muitos acreditam tratar-se de um verdadeiro milagre.
  Atualmente o HCL conta com 458 funcionários, 13 plantonistas e um corpo clínico de 116 médicos sem vínculo empregatício. Para o presidente da diretoria-executiva do hospital, Nelson Dequech, a força de vontade de todos que integram a equipe é fundamental para a manutenção de um bom trabalho. ‘‘O corpo clínico do hospital não pensa apenas em tratar a doença, mas sim em tratar o paciente que tem a doença e também seus familiares que por aqui acabam permanecendo por muito tempo’’, diz.
  Pouco antes da nova diretoria assumir o hospital, há cerca de seis anos, o HCL chegou a ser considerado uma empresa falida onde 95% dos atendimentos eram feitos pelo Sistema Único de Saúde, só que sem estrutura alguma para continuar com as portas abertas. A grande quantidade de dívidas que um dia chegou a acumular passou inclusive, por auditorias feitas pelo Ministério Público. Hoje, depois que a comunidade londrinense se mobilizou a favor do hospital, a realidade do HCL é outra. ‘‘Temos mais de 70 empresas que colaboram mensalmente com carnês além de centenas de pessoas que ajudam o hospital por meio de doações. A comunidade quis que o hospital continuasse a funcionar e por isso hoje ele está como estᒒ, enfatiza.
  Depois de sair do vermelho, o HCL vive novas empreitadas. Os últimos meses têm sido marcados por obras que devem garantir novas salas e setores específicos com o objetivo de humanizar ainda mais o atendimento. ‘‘Conseguimos disponibilizar junto ao Ministério da Saúde a compra de um aparelho de ressonância magnética que precisa de um local específico para funcionar. Também estamos construindo uma nova sala de espera. Hoje, em volta do hospital há dezenas de bancos onde pacientes e familiares se encostam para aguardar seus atentimentos. Isso é desumano. Queremos proporcionar um lugar adequado para essas pessoas.’’
  Mas a direção do hospital tem sonhos mais altos. A ideia é ampliar ainda mais o novo prédio para que mais leitos sejam disponibilizados. Além disso, o curso de residência médica para cirurgião oncologista - que só as melhores instituições podem fazer - já é uma realidade no HCL. A novidade coloca o hospital no rol das instituições de ensino e treinamento mais importantes do País e na companhia das mais conceituadas do mundo.
  Para Dequech, todas as realizações se devem, principalmente, à comunidade londrinense, além daqueles que deram o ponta pé inicial à obra. ‘‘Acredito que o HCL é uma entidade abençoada por Deus desde o início de sua tarefa. Foi criado por pessoas que eram muito altruístas e ativos, como Lucilla Ballalai, que sonharam em conseguir atender indigentes com câncer. Tudo aqui é importante, mas vamos realizando de acordo com as nossas possibilidades porque sabemos que a cidade nunca deixará que a instituição seja fechada’’, finaliza.

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