Horta urbana é cada vez mais comum
Buscar o alimento no próprio quintal há muito deixou de ser exclusividade dos moradores de sítios e fazendas do interior do Estado. Escaldados com informações sobre o perigo dos agrotóxicos e dos transgênicos e cada vez mais simpáticos à culinária caseira, os habitantes dos grandes centros estão aderindo ao cultivo de legumes e verduras em casa. Além de garantir a procedência dos vegetais, quem cultiva garante temperos e saladas sempre fresquinhos.
Segundo a engenheira agrônoma Adriane Baccaro, da loja Boutin, especializada em artigos de campo e jardim, a procura por mudas e sementes de hortaliças, como alface, salsinha e manjericão, cresceu bastante nos últimos anos. ''Antigamente era mais o pessoal de chácara (que comprava), hoje em dia na cidade tem mais hortas caseiras e pomares'', avalia.
Essa tendência é confirmada pelo comerciante Taharara, que há 15 anos vende mudas de frutas e hortaliças no Mercado Municipal de Curitiba. Segundo ele, nos últimos anos a procura por esses produtos cresceu bastante. Os vegetais preferidos dos fregueses são os temperos, como orégano e sálvia, e as plantas medicinais. As mudas precisam vir de São Paulo duas vezes por semana para atender à demanda. ''Até quem mora em apartamento leva'', aponta Taharara.
De fato, a falta de espaço não é mais empecilho para essa atividade. Adriane conta que um dos produtos mais vendidos na loja onde trabalha é uma bandeja com diversos tipos vegetais que cabe em qualquer sacada.
De olho nessa tendência, o botânico Silmar Goetzke há dez anos ministra um curso que enfoca a produção de alimentos em hortas caseiras. Segundo ele, é possível utilizar técnicas de reciclagem para transformar a matéria orgânica gerada nas residências em adubo para as hortas. Embora esse tipo de produção não seja muito numeroso, ele tem um gosto especial. ''Comer um tomate que você plantou em casa é outra emoção'', avalia. (A.A.)





