Hora de preparar o espírito e o coração
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Denise Ribeiro<BR>Equipe da Folha 
Embora a época que antecede o Natal seja muito marcada pelas campanhas publicitárias e pelas figuras de Papai Noel presentes em toda a parte, para os cristãos esse é o momento de preparar o espírito para o renascimento de Cristo. E a montagem do presépio, que reproduz o episódio do nascimento do Menino Jesus, é o maior símbolo dessa preparação. Além dos presépios montados em casa com a família, a tradição também está presente em diferentes locais da cidade nesse período.
No Santuário Nossa Senhora do Carmo, no bairro Boqueirão, por exemplo, uma exposição reúne até o dia 22 presépios dos fiéis e de líderes da comunidade. A Santa Casa de Curitiba também inaugura hoje, às 17 horas, um presépio de areia esculpido pelo artista plástico Rogeryo D. Ribeiro. São 25 toneladas de areia distribuídas em 18 esculturas, entre elas as de Nossa Senhora, São José, os Três Reis Magos e São Francisco, este último tido como patrono do presépio. As esculturas possuem até 1,8 metro de altura e ocupam uma área de 6 metros quadrados. Os visitantes poderão andar entre as esculturas e tirar fotos até o dia 6 de janeiro - Dia dos Reis Magos.
Ministra da eucaristia do Santuário Nossa Senhora do Carmo, Eliodete Liberato Silva, de 51 anos, levou para a exposição de presépios a tradição que mantém em casa, mas com uma responsabilidade maior. Dá trabalho porque as coisas de Deus dão trabalho. O que a gente faz por fazer é fácil. Aqui a gente quer caprichar para transmitir aos outros a presença de Deus, explica Eliodete. O povo pensa que Natal é ir para as lojas, para o shopping mas esse (o do renascimento simbolizado pelo presépio) é o verdadeiro Natal.
É o que defende também Valtair Augusto Ferreira, de 61 anos. Deveria ser a parte principal do Natal esse preparo do espírito e do coração para receber Jesus, afirma. Segundo Ferreira, que também é ministro da eucaristia, o presépio é a exteriorização do sentimento de preparação para o Natal. Representa a paz, a família, a união. Faz com que a família cresça no amor a Deus e aos seus, conta o fiel, que lembra dos primeiros presépios montados por sua família quando ele ainda era criança. Sou de uma família muito devota. Eu morava numa casa muito grande que tinha um local preparado só para o presépio, diz Ferreira. Hoje ele faz o mesmo com os netos. O ideal é ir semeando aos poucos, querendo impor você não consegue. Tem que fazer com que a criança se interesse para não deixar morrer a tradição, recomenda.
Para o artista plástico Rogeryo D. Ribeiro, autor do presépio de areia em exposição na Santa Casa, o tema do nascimento de Cristo e da Sagrada Família ajuda a resgatar valores que independem da fé de cada um. Existe um encantamento e uma significação de união, observa.
E foi com a união de peças de cada integrante do grupo de Formação Bíblica, que Roselene Siqueira, de 47 anos, montou um dos presépios em exposição no Santurário Nossa Senhora do Carmo. Cada um trouxe um pouquinho. O Chiquinho é o meu, afirma Reselene apontado para a imagem de São Francisco de Assis lembrando que é atribuída a ele a idéia de montar o primeiro presépio. Para a devota, o presépio é um meio para reviver a história. Você fica imaginando, pode vivenciar o que aconteceu. Pode se pôr lá no tempo em que Ele nasceu, ensina.


