Hora de parar
Se a grande maioria que trabalha divulgando a noite é formada por jovens no início de seus vinte anos, este não é o caso de Elizandra Liz Todo Bom. Ela trabalha com promoção há 12 anos, desde os 20. Com o trabalho, pagou a faculdade particular de Direito e hoje está na área jurídica do Detran. Para completar a renda, divulga em Curitiba a Green Valley, uma balada de Balneário Camboriú (SC). No roteiro, visitas a faculdades, cursinhos e cinco a seis barzinhos por noite.
Para eventos grandes, Elizandra já coordenou equipes com 15 pessoas, função que também realizou na EON, uma das casas noturnas mais badaladas da cidade. Sobre as cortesias, explica que quando vendem muitos ingressos, elas não são liberadas em grandes quantias. Diz que muita gente vai de Curitiba para Balneário para curtir a noite e se surpreendeu ao ver jovens pagando R$ 800 para cambistas para entrar em uma festa de lá. Em geral, os lugares pagam por período de divulgação, em valores que vão de R$ 30 a R$ 40 por noite.
Ela gosta do trabalho, mas já não como antigamente. Já estou saindo tarde, comenta sem explicar os seus caminhos, mas adiantando que, de um modo ou de outro, segue na noite. Tudo que é festa eu não pago, se diverte. Acabei ficando mal acostumada a ganhar ingresso. Quando tem que pagar, eu não vou, comenta Claudia, a jovem que hoje trabalha na academia. Para ela, divulgação não é ganha pão. E que, agora que deixou a noite, as coisas mudaram. Muita gente que me cumprimentava, me encontra e finge que não me conhece. Rola muito interesse sim.
Festinhas
Hoje, Valquiria, a moça do começo desta história, gosta de organizar festas para os amigos. Eles me pedem, eu escolho umas 15 pessoas e fazemos uma pequena festa fechada. Para promover eventos, ela divulga por site e e-mail, faz lista amiga, profile no Orkut, e distribui convites. Entrega para as pessoas que sabe que são influentes e que vão levar outras pessoas. Ah, e sabemos também quem são aquelas que consomem, e aquelas que sempre estão na noite e que aparecem nas fotinhos, comenta, lembrando da influência dos sites de fotos.
É um trabalho de estar sempre observando, saindo e apresentado as pessoas. Aos poucos, você nota que a pessoa que você conheceu no outro dia, também está relacionada com aquele grupo. Na opinião da jovem, Curitiba é uma cidade pequena para balada. Valquiria é formada em Biologia e está em sua segunda faculdade, em que estuda Naturoterapia. Com divulgação, não quer trabalhar para sempre. Se eu ver que está atrapalhando a minha vida social, talvez eu pare. Eu faço porque eu gosto muito, diz. Entre seus planos, está abrir um bar ou restaurante. (R.U.)





