A revista com o ''sudoku'', um passatempo de origem americana mas que fez sucesso no Japão, está nas mãos de Mauricio Puchalski, 51 anos, dono de uma banca de jornais. E também no topo do ranking das novas manias que são vendidas por ele, diariamente, no espaço. O jogo consiste em preencher os quadrados em branco de uma tabela com algarismos de um a nove, de modo que cada número apareça apenas uma vez na linha. E no final, o resultado acaba sendo o raciocínio aguçado do jogador. ''Palavra cruzada é mais cultural, você fica sabendo muitas palavras novas, mas com o sudoku você testa a estratégia, treina o raciocínio, é mais interessante'', opina Puchalski.
Segundo ele, a procura vem aumentando nos últimos meses, principalmente entre senhoras acima de 45 anos. ''Pelo que vejo, elas procuram pelo desafio, que chama a atenção'', avalia o dono da banca, que tornou-se um fã do passatempo.
Quem está no mesmo ''vício'' é a aposentada Juraci Almeida, 68 anos, que vem trocando as famosas palavras cruzadas pela novidade de nome oriental. ''Você passa algumas horas entretida, mergulhada em uma atividade que faz muito bem para a memória'', argumenta.
De acordo com Samanta Blattes da Rocha, neuropsicóloga do Hospital Ecoville, a atividade ajuda mesmo. ''Qualquer atividade intelectual pode contribuir para preservar a memória, inclusive a resolução destes tipos de passatempo. Uma atividade cerebral que estimule, se for realizada com frequencia, acaba fortalecendo as sinapses cerebrais. E quanto uma função é estimulada, mais ela tende a melhorar'', avalia.
Outra recomendação de jogos como o sudoku é no controle da ansiedade, para quem sofre com doenças psiquiátricas, como a Síndrome do Pânico. ''Há benefícios indiretos em atividades que estimulem a concentração, já que esta pessoa precisa aumentar esta capacidade. Temos de trabalhar a concentração deles com o objetivo de conseguir focalizar sua atenção em outro foco fora doença'', observa Samanta.
Outro campeão de vendas do meio são as palavras cruzadas. Quem comprova isso é o aposentado José Vieira Maciel, 64 anos. ''As palavras cruzadas são muito boas para mim, pelo conhecimento que você adquire, conhece novas palavras e principalmente para ficar com a memória afiada'', conta. A cabeleireira Santa Glória Krube, 54 anos, concorda. ''Você está vendo sempre coisas diferentes, exercitando a novidade. E quando vai chegando a idade, isso ajuda bastante'', diz.
Mas a procura pelos passatempos alcança todas as idades. O professor de matemática Guilherme Marques dos Santos Silva, 33 anos, começou a se interessar pelos jogos com 10 anos de idade. E não parou mais. Após criar grupos na internet, que reuniam outros fãs de diversos passatempos, foi convidado para participar do Campeonato Mundial de Passatempos, realizado na Hungria, em 2005, e do de 2006, na Bulgária. ''Esses jogos ajudaram na minha memória de curto prazo e, principalmente, no raciocínio. Você sente que o cérebro está funcionando a todo o vapor'', resume. Para Silva, os passatempos deveriam ser recomendados para todas as pessoas. ''Você evita o envelhecimento precoce do cérebro, é uma espécie de fisioterapia ou aeróbica para ele'', brinca.

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