Hora de encarar o IPTU
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Enquanto em municípios da Região Metropolitana, o índice de inadimplência chega a 40% no pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que começa a ser cobrado nos próximos meses, em Curitiba, a prefeitura estima que esse índice não deve passar de 12%. Mas o pagamento em dia não é sinal de satisafação plena dos moradores da Capital. O curitibano queixa-se que está pagando caro pelo imposto.
A dona de casa Umbelina de Souza, de 52 anos, moradora do bairro Santa Felicidade há 35 anos, diz que o imposto está pesando mais no orçamento da família nos últimos anos. ''Aumentou um absurdo. O terreno aqui é nosso mas é a mesma coisa que morar numa casa alugada'', compara. No ano passado, a família de Umbelina requisitou abatimento no valor do imposto por causa da área verde que conserva em sua propriedade. ''Assim mesmo ainda está caro'', avalia.
Lucia Kruszielski, de 80 anos, sente falta de um retorno em forma de prestação de serviços. ''No Natal, meu filho é que teve que roçar aí na frente. Eu disse para ele: 'Você ganha alguma coisa da prefeitura? Não sabia que você era funcionário da prefeitura'. E ele disse: 'No tempo que eu vou telefonar para eles, eu mesmo faço''', conta Lucia, que vive em Santa Felicidade na mesma casa em que nasceu.
Morador do bairro Mercês, o aposentado Bazilio Chandoha, de 75 anos, é outro que está insatisfeito. ''Aqui nem varrer não varrem direito. Aí entope a boca-de-lobo. Aqui me chamam de chato mas eu pago meus impostos e tenho direito'', afirma Chandoha. ''Em época de eleição o pessoal se interessa, mas tem que ser de janeiro a dezembro.''
Outra moradora das Mercês, a professora Sarita Rossi, de 50 anos, lamenta apenas a redução do desconto para pagamento em cota única. ''Antes compensava quando o desconto era 15%. Agora é só 5%, não vale a pena'', explica.
De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Curitiba, o índice de reajuste do imposto para 2008 foi de 4,56% e a previsão é recolher R$ 275 milhões. O aumento deve-se ao crescimento de 2% no número de imóveis cadastrados (de 502.462 para 512.530) e à correção do imposto pela inflação, que foi de 4%, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


