Marcos NegriniOs homens aderem à moda literalmente e já estão em todas as áreas de produçãoAs indústrias de confecções de Cianorte estão colaborando para uma mudança no comportamento dos homens com relação ao tipo de trabalho. Ficar atrás das máquinas de costura era considerado um serviço quase excusivamente feminino, mas hoje, já há centenas de homens exercendo a atividade em Cianorte. A mudança tem dois fatores desencadeadores: de um lado estão as indústrias que sobreviveram à crise de 1995 e que este ano passaram a fazer novas contratações, e do outro estão os homens que não encontram outras atividades. Diante da grande oferta de emprego, os homens de Cianorte aderiram à moda literalmente.
Se antes eles já ocupavam as vagas no setor de facção, atualmente invadem as fábricas de confecção sem o menor constrangimento - e em muitos casos têm a preferência das empresas. De acordo com o presidente da Associação do Vestuário de Cianorte, Alberto Nabhan, a contratação de homens pelas indústrias locais está acontecendo naturalmente, e é consequência da falta de opção de trabalho em outros setores. Ele afirma que não há qualquer discriminação e que a oportunidade de emprego depende exclusivamente da capacitação tanto de homens quanto mulheres.
AlternativaAtualmente existem cerca de 1.500 homens trabalhando nas indústrias de confecções de Cianorte. A maioria é adolescente que ingressa na atividade depois de realizar cursos profissionalizantes oferecidos na cidade. ‘‘Há poucas alternativas de emprego em Cianorte, e já que as empresas de confecções estão voltando a contratar funcionários, não vejo porque estes jovens não ingressarem nas fábricas’’, diz Nabhan.
A admissão de funcionários do sexo masculino nas empresas de confecções, entretanto, não ameaça o trabalho desenvolvido pelas mulheres. Conforme Nabhan, o setor tende a crescer de 1% a 2% ao ano, e a preferência na contratação de funcionários, de qualquer sexo, será sempre pela qualificação profissional. ‘‘Os empresários sabem que para manter a qualidade e o nível de competitividade depende basicamente da mão-de-obra, que precisa ser qualificada, ou fica difícil competir’’, explica.

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