Curitiba - Os homens vêm, ao longo dos anos, se tornando grandes chefs de cozinha. É como uma onda. Uma febre. Elas querem ir para a rua, beber em botecos sem ter que se preocupar com o que colocar na mesa. Eles, ao contrário. Querem experimentar sabores, temperos, mostrar aos amigos suas experiências pela culinária. E é assim que as fábricas de cozinha vêm detectando um aumento de até 25% na procura masculina para montar uma cozinha equipada. Para Adilson Waszak, um dos sócios da Artigiano Cozinhas e Armários, os homens estão ''saindo do armário'' e assumindo sua preferência por pilotar o fogão da casa.
Ultimamente, muitos dos casais que vão em busca de uma cozinha nova têm o homem no comando das escolhas. Um fato bom para o comércio, já que eles poupam menos.
Uma cozinha pequena custa cerca de R$ 8 mil, uma média R$ 14 mil e uma super, a chamada gourmet, sai em torno de R$ 22 mil. ''Os homens querem mais acessórios. Buscam por mais agilidade na hora de cozinhar. Por isso compram equipamentos sofisticados'', explica Waszak.
Escolha ousada? Uma gaveta que contém lugar para todos os tipos de acessórios. Coisinhas básicas como extrator de azeitonas. Saca-rolhas. Enfim, itens que uma cozinheira das antigas jamais imaginaria poder existir um dia. Esta gaveta custa R$ 1,5 mil. O brinquedinho mais caro? Uma coifa que chupa o vapor soltado pelas panelas e frigideiras a uma velocidade avançada. É medida em metros-cúbicos por hora e sai por R$ 6 mil.
Luxo esse que o engenheiro Guilherme Araújo se deu. Na verdade ele e a mulher, a psicóloga Denise, gostam tanto de cozinhar que, no apartamento recém-inaugurado, existem duas cozinhas. Uma é normal para o dia-a-dia e a outra é a chamada gourmet, feita no meio da sala para a dupla preparar suas iguarias para dois casais de amigos. ''Sempre gostamos de cozinhar. Antes fazíamos de dois a três jantares por semana. Agora com as cozinhas novas já fizemos dois jantares, mas é porque faz apenas 15 dias que nos mudamos'', conta Araújo.
Um estilo de vida que já vem de casas anteriores e que agora foi solidificado com a separação do lugar para comer frugalmente do de comer por prazer. Esta é uma tendência solidificada. Cada vez mais os casais ou grupos de homens querem se juntar e cozinhar. É uma forma de sair da rotina e ter mais privacidade. Além do mais, a história dos homens irem para a cozinha não é de hoje não. É bem mais antiga que se possa imaginar.
Segundo o chef de cozinha e professor do curso profissionalizante do Senac, Lúcio Chrestenzen, a atração do homem pelas alquimias dos sabores data de séculos atrás. ''O homem sempre quis assumir este status. Cabe a ele o lado social da coisa. Hoje já temos grandes chefes mulheres, mas tradicionalmente os homens estão na cozinha desde a corte de Luis XV. E se formos mais longe veremos Leonardo da Vinci, um grande artista e alquimista que fazia suas incursões pela cozinha.''

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