HOMENS & MULHERES - Conviver com diferenças pode ser muito benéfico
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de novembro de 2006
Marta Ortega<br> Reportagem Local 
Que homens e mulheres são diferentes fisicamente, todo mundo já sabe. Mas as diferenças vão muito além do físico. Até aí, nenhuma novidade. O que se questiona é se as descobertas científicas que apontam estas diferenças influenciam na maneira de ser de cada um e o que será feito a partir disso.
Há um século, cientistas concluíram, por exemplo, que os cérebros masculino e feminino apresentam diferenças de tamanho e que por ser menor, o cérebro feminino poderia influenciar na capacidade intelectual da mulher. Até hoje, ninguém conseguiu nenhuma evidência de que as diferenças anatômicas tornam as mulheres mais incapazes que os homens.
Um artigo publicado pela Scientific American Brasil, em junho de 2005, revela que ao longo da última década, pesquisadores que estudam diversas questões do processamento da linguagem passando pela gravação de memórias emocionais, descobriram uma série de variações estruturais, químicas e funcionais entre os cérebros do homem e da mulher.
As variações anatômicas ocorrem em uma série de regiões do cérebro. Utilizando, por exemplo, a ressonância magnética para medir áreas corticais e subcorticais, os pesquisadores descobriram que determinadas partes do córtex frontal - envolvido em muitas funções cognitivas importantes - são proporcionalmente mais volumosas em mulheres do que em homens, assim como partes do córtex límbico, envolvido nas reações emocionais.
Por outro lado, em homens, partes do córtex parietal, ligado à percepção espacial, são maiores do que nas mulheres, assim como a amígdala, estrutura em forma de amêndoa que reage a informações que despertam emoções - qualquer coisa que faça o coração disparar e a adrenalina fluir pelo corpo.
Outras pesquisas estão encontrando diferenças em relação aos neurônios de homens e mulheres. Descobriu-se que as mulheres possuem maior densidade de neurônios em áreas do córtex do lobo temporal, associadas ao processamento e à compreensão da linguagem. Descobertas semelhantes foram registradas posteriormente no lobo frontal.
Com essas informações, os neurocientistas podem agora analisar se as diferenças sexuais no número de neurônios correspondem a diferenças na capacidade cognitiva.
Vários estudos comportamentais contribuem para aumentar as evidências de que algumas das diferenças sexuais no cérebro surgem antes mesmo que o bebê comece a respirar. Pesquisas comprovam que preferências na hora da escolha (meninos brincam com bolas e carrinhos, e meninas brincam com bonecas) podem ser determinadas pela biologia cerebral inata, e não cultural, como se imaginava. Será?


