Homenagem em Heimtal valorizou pioneiros
Os nomes de ruas do Patrimônio Heimtal, o primeiro da cidade, teve a participação popular na definição dos homenageados locais. A experiência foi realizada pelo Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O trabalho foi feito pela estudante Margareth Yasho Barbeto, sob coordenação do professor Jorge Cernev, titular da cadeira de Metodologia e Técnica de Pesquisa em História da UEL, no início dos anos 1990.
''Na época, decidi que, como a cidade é nova, a pesquisa deveria partir também para a parte de campo. Direcionei o trabalho para buscar os pioneiros, os primeiros moradores. Contar a história através das pessoas e não somente da bibliografia. A história oficial não abrange tudo porque pega geralmente pelos documentos, a parte oficial, e ignora a população'', comenta Cernev. Os nomes escolhidos pelos moradores foram encaminhados por um vereador para a Câmara Municipal, que aprovou lei batizando as vias públicas. Um trabalho denominado ''Pioneiros do Patrimônio Heimtal'' foi elaborado por Margareth.
''A própria comunidade escolhe aqueles que lhe são caros. Então, eles dão valor e sabem explicar depois para qualquer pessoa quem foram os homenageados'', destaca Cernev. A escolha criteriosa de homenageados, no entanto, é exceção na história de Londrina. Hoje professora, Margarete Yasho Barbeto disse que o trabalho de levantamento dos dados da pesquisa foi cansativo, mas recompensador. ''Fui de casa em casa à procura de parentes dos pioneiros'', relembra.
O professor explica que são comuns homenagens a pessoas que não desempenharam papel importante para o desenvolvimento da cidade. Um exemplo é a Avenida Saul Elkind, a mais importante da Zona Norte. Segundo Cernev, o homenageado, provavelmente, nunca esteve na cidade. ''Ele é parente da pessoa responsável pela parte financeira da Caixa Econômica Federal, que liberou a verba para começar os Cinco Conjuntos'', conta.
Para Cernev, o próprio crescimento da cidade contribuiu com a falta de conhecimento sobre os nomes importantes da história local. ''Houve uma explosão muito grande e hoje dificilmente é possível conhecer o nome de todos os bairros'', avalia. O trabalho de Margareth foi encaminhado para bibliotecas e escolas públicas. A medida visa difundir entre as crianças os nomes dos pioneiros. O professor adverte, no entanto, que a participação da família também é importante.
Atualmente, o professor precisa, na maioria das vezes, ter mais de um emprego. Sobra pouco tempo para ter contato direto com os alunos e as escolas. ''Tem de mudar a mentalidade do povo. Para isso, escola e também a Igreja têm de agir. Mas elas estão impossibilitadas de agir, estão isoladas da comunidade. Não sei como sair desse círculo vicioso'', constata. Margareth acrescenta que a ''luta pela sobrevivência'' impede que as pessoas tenham uma preocupação maior com a justiça nas homenagens aos pioneiros. ''Qual é a diferença para as pessoas o nome da rua onde moram?'', questiona.
(F.R.F.)





