Homenageado, mas de traje errado, diz que é garçom
Milanez lembra que muitas vezes, quando chegavam governadores ocorria uma situação interessante. Os puxa-sacos cercavam o governador, mostrando recortes da Folha com críticas ao governo. Daí eu chegava, entrava na roda, entregava o jornal inteiro, e dizia que um jornal independente não precisava de verbas oficiais e podia informar o que era necessário.
Quando o presidente Giovanni Gronchi, da Itália, veio ao Brasil, eu fui condecorado por ele, recorda Milanez, fazendo questão de dizer que tem centenas de títulos e comendas, nacionais e internacionais. Os condecorados de Londrina eram ele, o prefeito e o engenheiro Aristides de Souza Mello. Só João Milanez foi para a festa, no Rio.
O traje era casaca, mas eu estava com smoking. Fui mais cedo, perguntaram na porta o que estava fazendo lá, eu disse que era garçom. Assim, entrei, e participei da festa que teve, também, a presença do então presidente Juscelino Kubischteck.
Outro convite que Milanez não esquece foi o feito pelo então ministro da Fazenda, Delfim Neto. Ele foi convidado a participar de um jantar com a participação de 130 presidentes de Banco Central de todo o mundo. Fora do ramo bancário, ele foi o único convidado do Sul do Brasil. Eu liguei para Dona Helena, a secretária do Delfim, perguntando se não havia uma vaga para fazer um discurso na festa. A secretária ficou sem saber o que fazer, passou para o ministro. E o Delfim foi rápido, informando que a única vaga que ele podia me arrumar era na cadeia. Então, não falei, mas fui, junto com o Avelino Vieira, que era do Conselho Monetário Nacional. E na festa, com toda aquela gente, só havia 10 convidados do Brasil. Eu era um deles. Era a Folha presente. (E.F.)





