Herdada da sogra, a receita da broa úmida vinda da Alemanha é segredo de Estado, mas o produto já é encontrado nas prateleiras de supermercados curitibanos. Antonio Otto Kintzel começou fazendo os pães ocasionalmente, para comer com carne de onça junto aos amigos do truco. ''Era um hobby para compartilhar com a turma. Mas sempre que eu fazia, mais ou menos a cada três meses, todos queriam levar uma para casa'', conta.
A broa começou a ser vista como mercadoria após uma crise financeira que levou o empresário a paralisar suas firmas. Numa das fornadas para os amigos, um deles pediu para levar uma amostra para um almoço com membros do consulado alemão. A broa fez tanto sucesso que seo Otto recebeu a primeira encomenda: dez unidades. Em seguida, conhecendo as propriedades nutritivas do seu produto, ele decidiu levar algumas unidades na Associação Curitibana dos Diabéticos. Dali, a broa ganhou um laudo técnico e passou a ser oferecida para algumas padarias interessadas em produtos mais exclusivos.
Na época, cada unidade tinha mais de 1kg. Com cinco fornadas no fogão da cozinha de casa, 25 broas eram produzidas e vendidas em 15 pontos de venda. Mas com o pedido dos próprios consumidores, o padeiro optou por diminuir o tamanho e hoje, seis anos após a primeira negociação, 11 funcionários e dois fornos industriais preparam e entregam cerca de 7 mil unidades semanais para serem revendidas em uma grande rede de supermercados curitibana e quase 180 padarias, inclusive no litoral paranaense, durante a temporada de verão.
Segundo Kintzel, a receita original foi quase toda preservada, com poucas adaptações. Adepto das experimentações, o padeiro produz broa de soja e linho, aveia, milho, castanha do pará e maracujá, além da tradicional. Mas a receita de família... fica só na família. (M.R.M.)

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