HOBBY - Mulheres descobrem hobbies lucrativos
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de novembro de 2006
Denise Berto<br> Agência Estado 
Embora com histórias de vida, desejos, personalidades e profissões diferentes, elas têm algo em comum: abandonaram carreiras promissoras, status, independência financeira e mordomias para fazer o que mais gostavam. Acreditaram em seus sonhos e hoje vivem muito bem com os novos empreendimentos.
Gislene Medeiros Mesiara, de 32 anos, por exemplo, diz que a única semelhança entre a sua antiga atividade e a atual é o manuseio com o verde. Antes, o verde do dólar, moeda que fez parte de sua vida por muito tempo e, agora, o verde das plantas, sua paixão.
Durante 11 anos, Gica, como é conhecida, atuou como administradora de recursos financeiros de terceiros em importantes bancos de São Paulo. Formada em Marketing, era gerente de contas ''vips''. Indicando bons investimentos, engordava a conta bancária de seus clientes e a sua também.
Tinha um salário invejável, ótima qualidade de vida, mas um sonho latente que deixou na adolescência: a preocupação com o meio ambiente. ''Quando criança, queria cursar agronomia, mas minha família não pôde bancar o curso. Resolvi, então, que iria ganhar muito dinheiro e consegui. Minha carreira nos bancos foi bem-sucedida. No entanto, sempre preservei o amor pela ecologia.''
Conta que, por algum tempo, conciliou as duas atividades: trabalhava no banco durante o dia e se dedicava ao paisagismo à noite. ''Fiz inúmeros cursos, criava projetos para amigas e conhecidos, era uma loucura. Chegava a dormir uma ou duas horas por noite.''
Após várias pesquisas de mercado, Gica resolveu que era hora de abandonar o banco e transformar seu hobby num negócio rentável. ''A meta era trazer o verde de volta para a vida das pessoas que vivem nos grandes centros.''
A partir desta premissa, começou a vender projetos paisagísticos, cada vez mais requisitados. O reconhecimento maior veio com o ''quadro vivo'', uma idéia que lhe rendeu prêmios no Brasil e exterior. Trata-se de um quadro em estrutura de plástico de alta densidade, com plantas vivas e um minicomputador embutido, movido a bateria, que programa a rega de acordo com a necessidade da planta. ''A única preocupação do dono é abastecer o depósito de água. Quando a água ou a bateria estão acabando, o computador emite sinais luminosos avisando.''
Atualmente, a empresa oferece uma linha extensa de produtos e serviços, tais como projetos paisagísticos, obras de arte assinadas, peças para decoração e outras para o público que gosta de cuidar das plantas. Ela conta com quatro funcionários fixos, terceirizando muitos serviços.
Sua história lhe valeu o título de Mulher Empreendedora de 2004, um prêmio instituído pelo Sebrae, que destaca o papel da mulher no empreendedorismo brasileiro.


