À frente de uma organização não-governamental que oferece apoio a profissionais do sexo a Ong Adé Fidan Edison Bezerra não pertence a um, mas a dois grupos que se localizam no meio da batalha entre o politicamente correto e o preconceito. Bezerra é homossexual e HIV positivo e não aidético, como muitos, mesmo 21 anos depois do primeiro caso identificado da doença em Londrina, insistem em dizer.
Bezerra acompanha de perto a luta para banir do vocabulário do brasileiro a expressão ''homossexualismo'', utilizada legalmente até 1986, mas popularizada até os dias atuais. O sufixo ''ismo'', presente em nomes de várias doenças, levava a sociedade a pensar a orientação sexual diferenciada como uma patologia. ''Sabe-se que a homossexualidade não é uma doença e, portanto, a orientação precisava ganhar um outro nome'', explica ele.
Para Bezerra, no entanto, o problema com a Aids é ainda mais delicado. Neste caso, nomenclaturas médicas se misturam com o preconceito e com o politicamente correto na hora de dizer se uma pessoa é ou não portadora de HIV, ou mesmo se ela já desenvolveu a doença. O termo ''aidético'', por sinal, provoca calafrios no coordenador da Adé Fidan.
''Acho que prefiro ser chamado de bicha do que de aidético'', confessa. Em tempo: pessoas portadoras do vírus devem ser chamadas de HIV positivas. Já as que desenvolveram a doença podem ser denominadas ''doentes de Aids''.
Mas o público homossexual é sensível e criativo. Por isso mesmo, os exageros também acontecem e o politicamente correto, às vezes, podem tomar proporções maiores do que o desejável. Segundo Bezerra, hoje se discute a possibilidade de deixar de lado o termo ''homossexualidade'', que daria lugar ao ''homo-erotismo''.
''O próprio movimento se sente confuso. Acho que deveríamos ir mais devagar'', avalia Bezerra. ''Não podemos exigir que a sociedade aceite imediatamente os termos que acreditamos ser os mais corretos, pois muitas vezes lhe falta até educação. Em um país com uma língua altamente influenciável como é o Brasil, as coisas precisam acontecer naturalmente. Além do mais, uma piadinha de vez em quando não mata ninguém'', brinca.(A.M.)

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