Histórias engraçadas e até confissões
Mas quem disse que a saudade é território exclusivo dos mais velhos? Quando concluiu o curso de Artes Cênicas na Faculdade de Artes do Paraná (Fap), em 1997, a professora de teatro Lubieska Andraus Berg tinha 21 anos. Na época foi feita uma brincadeira com ares de pacto. ''Como estaremos daqui a dez anos?''. A resposta veio no final deste ano, em um almoço realizado entre os ex-colegas de turma. ''É muito bom rever essas pessoas que marcaram um período da nossa vida. É como voltar um pouquinho no tempo'', observa Lubieska. Dentre os 17 alunos que se formaram, dez compareceram ao evento. ''Os outros se recusaram. Ou a vida mudou, ou não gostavam de ninguém mesmo'' diz.
Segundo ela, com a distância do tempo muitas das rusgas e desentendimentos dos tempos de faculdade perdem a nitidez. ''A saudade e a vontade de ver as pessoas faz desaparecer as brigas e as panelinhas'', garante. O que sobra é a troca de recordações, e até algumas confissões, como quem eram os alunos que colavam nas provas e quais as meninas que espiavam o professor trocando de roupa. ''São muitas histórias engraçadas'', diverte-se.
Mesmo que o tempo imprima suas marcas indistintamente em todos nós, Lubieska afirma não notar muito as diferenças na aparência dos ex-colegas. ''Apesar de alguns com outro cabelo, outros mais barrigudos, quando olhei para as pessoas eu jurava que não tinham mudado nada''. A impressão tem explicação. ''Será que a gente envelhece junto e não percebe?'', indaga.
Outra turma que se reúne para trocar memórias dos tempos de faculdade são os formandos de 1988 do curso de Educação Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR). De acordo com o professor Luiz Sávio, de 43 anos, esses encontros são feitos anualmente há quase vinte anos. Segundo ele, nessas ocasiões, as conversas giram em torno do que faziam na época, já que a grande maioria dos formandos abandonou a área. Apesar das diferenças profissionais, Sávio garante que ''o comportamento e o companheirismo continuam os mesmos''.
Ao final de cada encontro ele conta que sai com o espírito mais leve. ''É gostoso, descontraído, ficamos lembrando de fatos engraçados'', conta. (A.A.)





