Não é só nos cafundós do Brasil que a chance é maior de encontrar alguém que já agarrou à unha uma onça ou que, numa peleja sangrenta, venceu o tinhoso, dando de cara com a mula-sem-cabeça, com aqueles olhos de fogo. Se é verdade ou exagero, não vem ao caso. O que não falta em qualquer cidade do interior é quem goste de contar essas e outras histórias.

Um dedinho de prosa com o funcionário público Rubens Crissi, 66 anos de idade, que qualquer pessoa de Doutor Ulysses sabe indicar onde mora, é suficiente para que convide a gente para entrar, oferecendo algo para beber ou comer.

Do outro lado da mesa, ele vai arrumando com os olhos as surpresas dos causos que serve aos visitantes.

''Cerro Azul é mais velha do que Curitiba. É do tempo dos Jesuítas. Na paróquia de Cerro Azul tem um livro do começo da cidade para quem quiser saber mais. Foram eles que formaram isso aqui, lá pros 1800, quando meus avós vieram. Aqui tem história dos Quilombos, mas vou contar a da revolução entre Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul. Aqui, os guerrilheiros formaram a batalha e brecaram os paulistas. Eu não li as histórias que conto, mas são antigas do pessoal. Dizem que a cruz do alemão, em Curitiba, foi obra de um alemão que morava em Cerro Azul. A cabeça dele foi cortada aqui em Doutor Ulysses. Mataram ele porque era um homem justo. Depois levaram a cabeça para Cerro Azul e a jogaram em cima da mesa de quem mandou matar, na hora da janta'', contou Crissi, filosofando ao dizer que pobre não pode sonhar muito alto, mas numa alturinha certa.(F.L.)

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