Histórias de Natal
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de dezembro de 2006
No circo, Papai Noel segue a caravana 
O céu é de lona e quem vive embaixo dele são os donos do picadeiro. Num mundo onde o palhaço é rei, Papai Noel também tem vez, sendo que a casa do Bom Velhinho bem que podia ser o circo - um lugar perfeito para alguém que existe na fantasia das crianças.
Nesse enredo alternativo de Natal, se Papai Noel resolvesse deixar o Pólo Norte para fugir com o circo, poderia bater na porta do trailer da adolescente Célia Jostmann, 15 anos, que até outro dia acreditava que o Bom Velhinho existe de verdade.
A adolescente faz parte do elenco do Kroner Circo Alemão, que realiza temporada em Londrina. Ao contrário das outras crianças, que colocam o sapatinho na janela e à moda de outros países, esperam que Papai Noel desça pela chaminé para deixar o presente ao pé da árvore de Natal, no circo a gurizada espera o velhinho atrás do trailer.
Célia, que faz um número em que fica suspensa pelos cabelos, somente deixou de lado esse brincadeira por um motivo que mais parece argumento de um conto de Natal. Minha filha só parou de acreditar no Papai Noel com 12 anos de idade. As amigas maiores começaram a dizer que não existia e, para tornar essa passagem na vida dela mais bonita, pedi para um amigo russo escrever uma carta em nome do Papai Noel. Na carta, ele dizia que era a última vez que passaria em nosso trailer porque a Célia estava virando mocinha, narra a mãe da adolescente, Kely Jostmann, também artista de circo.
Para o ex-trapezista e, atualmente relações públicas do circo, Edgar Aloísio Reis, 41 anos, uma história natalina começaria com...Era uma vez, um Natal com a casa lotada. Há alguns anos, lembra Reis, passamos o Natal em Santarém e acreditávamos que não iríamos trabalhar. O transporte é feito somente de barco e avião, mas, inexplicavelmente, as pessoas começaram a chegar, lotando o circo. Foi inesquecível.
Ainda que o Papai Noel não tenha fugido para o circo, muitos não pensam duas vezes para esperar o Natal no picadeiro. O trapezista e motociclista do globo da morte, Paulo Renato, 25 anos, é um deles, cruzando o país de Pernambuco, onde o circo da família faz temporada, ao Paraná, para passar a festa no picadeiro onde nasceu como artista.
Imagine o Natal sendo realizado cada ano em um lugar diferente. É assim na vida dos artistas circenses, como Evelyn Klein, descendente dos fundadores do Kroner, que já divide o picadeiro com o filho Kevin de 4 anos em um número de magia, além do marido, o equilibrista Christian Marques, 31 anos. Apesar de poder rodar o mundo com o circo, os artistas não abrem mão de uma coisa: não arredar o pé do picadeiro no Natal.
Uma vez, o pessoal queria passar a festa na cidade. Eu disse que desde que me entendia por gente passei no circo e que não queria que fosse diferente. Todos mudaram de planos e tivemos o Natal como sempre quis, lembra a contorcionista Rithchelly Alves, 18 anos, abrindo a caixa, que tradicionalmente é usada nos números de contorção, para guardar essas histórias de Natal. (F.L.)


