Animal de estimação é sinônimo de cachorro e gato para a maioria das pessoas. Alguns poucos ainda se aventuram a ter um furão, hamster ou uma tartaruga. Outros, ainda, são mais corajosos. Que tal ter seis cães, quatro gatos, quatro papagaios, um sagui, uma tartaruga e dois hamsters? Pois são esses os animais cuidadosamente cuidados pela professora de Direito Ambiental Danielle Tettu.
''Os animais domésticos foram resgatados de maus tratos, dois papagaios foram comprados por amor a primeira vista, outros dois foram herdados de meu avô, a tartaruga foi comprada com intenção de resgatá-la de maus tratos. Quando fui comprar ração para ela, conheci o sagui e me apaixonei'', conta. Todos os animais são legalmente registrados junto ao Ibama. Ela não hesita em recomendar, no entanto, que as pesoas pensem muito antes de ter um animal ''diferente''. A consulta em veterinário de animal silvestre custa o dobro, eles requerem rações especiais, suplemento de cálcio e muito mais cuidados do que cães e gatos.
E que tal, então, ter um leão em casa? Em um bairro central de Curitiba, uma família fez essa opção e hoje mantém no quintal, em uma área cercada, é claro, a leoa Mel, de dois anos de idade. O dono prefere não se identificar, pois apesar de registrado no Ibama como mantenedor, sempre é alvo de denúncias.
Ele conta que Mel foi pêga, ainda bebê, em um circo que se apresentava em Curitiba. ''Ela e a irmã estavam em uma cesta de supermercado, deixadas para morrer. Elas foram separadas da mãe, que não tinha leite para amamentar porque o circo não estava alimentando ela'', conta. Sem alternativa de vida para os dois filhotes, já desnutridos, ele levou as duas leoazinhas para casa.
''Achamos que era só para elas sobreviverem, mas ninguém pega depois'', conta. Um dos filhotes morreu, mas Mel acabou crescendo ao lado da São Bernardo Natasha, sua companheira até hoje. Criada por humanos, a leoa ficou mansa, e algumas pessoas entram em sua jaula sem riscos. Ela vive de acordo com as recomendações do Ibama, tem um certo espaço, cobertura para os dias de chuva, alguns brinquedos para se exercitar, mas nem de longe lembra as condições em que viveria no meio ambiente.
''Não é legal para os animais viver presos'', diz o mantenedor, que espera em breve poder levá-la para uma outra área, em uma chácara na Região Metropolitana. Ele também não recomenda às pessoas que tenham grandes animais. A comida não é tão cara - são quatro quilos de carne por dia - mas há outros gastos grandes. Só para construir uma jaula especial foram R$ 15 mil, sem falar nas cirurgias para extração das presas, das garras e para retirada do útero, para evitar a procriação. (M.G.)

mockup