Histórias da Vila
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
André Amorim <br> Equipe da Folha 
Se a Vila Isabel do Rio de Janeiro é boêmia e conhecida pelo samba imortalizado na música de Noel Rosa , a Vila Isabel de Curitiba é conhecida pela tranqüilidade. O bairro tem características de uma cidade do interior, com prédios baixos e muitas casas, onde não raro encontramos pequenas plantações e criação de animais. Essas características são destacadas pela comerciante Rose Marisa Paglia, que mora no bairro há 37 anos. O bairro é família, ainda é muito província, o pessoal se conhece pelo nome, relata.
Nos últimos anos, houve grande valorização imobiliária na região. Com isso novos empreendimentos começaram a ser construídos no bairro, substituindo lentamente as casas por edifícios. De acordo com o Sindicato das Indústrias de Construção Civil (Sinduscon), o valor dos imóveis no setor onde se localiza o bairro teve um crescimento de 7% entre janeiro e julho deste ano. Também o Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado Imobiliário Condominial (Inpespar) apontou uma variação percentual de 20,81% nos imóveis usados com 3 dormitórios, em 2007, contra variação de 17,2% registrada em Curitiba no mesmo período.
Essa mudança não passou desapercebida pelo torneiro mecânico Nilto João da Silva, de 80 anos, 50 deles passados na Vila Isabel. Ele lembra do tempo em que a rua onde se localiza sua oficina era rota de passagem dos tropeiros, que se dirigiam para as chácaras existentes na região. Hoje, além do volume de edifícios, que começam a extrapolar a altura de quatro andares, ele reclama da violência e mostra o alarme que teve que instalar em seu estabelecimento. Não é seguro não. Roubaram o carro da minha amiga às três horas da tarde, conta.
Outra que assistiu de perto as transformações do bairro ao longo das décadas é Radhail Grein Vellozo, neta do professor Dario Vellozo, intelectual responsável pela criação do Instituto Neo-pitagórico no início do século passado. Aos 87 anos, ela recorda dos tempos em que a noite era silenciosa, e podia-se ouvir o barulho do bonde passando onde é hoje a Avenida República Argentina.


