HISTÓRIAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de junho de 2009
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Estou em franca campanha contra tudo o que pode me escravizar. Falo das pequenas coisas, obviamente. Porque eu gostaria mesmo é de viver de brisa, sem qualquer tipo de obrigação. Como não dá, vou eliminando o que posso.
Um bom caminho é começar deixando de lado hábitos que deveriam ser prazerosos, mas acabam virando uma prisão. Seguem alguns exemplos:
Atualizar blogs, twitters e afins
Acompanhar seriados na tevê paga
Participar de lançamentos, inaugurações e outras bocas livres
Desenvolver "projetos pessoais"
Viajar nos feriados
Assistir a grandes shows internacionais, principalmente fora da cidade
Ouvir "a melhor banda de todos os tempos da última semana" (valeu, Titãs!)
Fotografar tudo e todos, a toda hora
Ficar de papo furado no MSN
Não condeno nada do que foi citado acima, que fique claro. Aliás, trata-se de uma lista extremamente pessoal. A bronca, aqui, é com "o prazer como dever", essa exigência maluca de ser feliz e criativo o tempo todo.
Foi-se o tempo em que o indivíduo se sentia reprimido pela família, o estado, a igreja, as convenções... Hoje, ao contrário, somos incentivados a realizar desejos, a viver plenamente. Que ótimo!
O problema é que isso virou quase uma obsessão, com a frustração batendo na porta ao menor sinal de tédio. E, de repente, você se sente um lixo por ter ficado em casa no sábado à noite. Acreditem: tem gente indo parar na terapia por ser incapaz de entrar nessa roda viva.
Está dado o recado. A libertação, agora, também passa pelo simples direito de não fazer nada, de não ser ninguém. Prazer, às vezes, é ter um ingresso na mão e preferir ficar no boteco perto de casa.


