Andar de avião é mais seguro do que andar de carro. É mais seguro que andar de ônibus. Ou de trem. É mais provável que você morra no trajeto entre sua casa e o aeroporto do que na viagem de avião. Pois bem, apesar desses fatos, tenho mais medo de andar de avião do que de carro. Na realidade, não é medo,
é pavor, pânico.
Meu medo tem fundamento. No carro meus pés estão bem pertinho do chão. Qualquer problema, eu paro o carro e saio fora. No avião, essa opção não existe. Você fica lá, a 10 mil metros do chão, durante dez horas, sem nenhuma chance de pedir para descer no meio do caminho.
O ruim do medo é que, uma hora ou outra, ele toma o caminho de desespero irracional sem que você perceba e pronto: lá está você vendo sinais de que dessa vez vai dar tudo errado. Na minha última viagem não me preocupei com a previsão do tempo nem com a situação financeira da companhia aérea. O que mais me deixou tensa na viagem foi a presença de uma freira, porque todo mundo sabe que freira dá azar.
Outra coisa que também sempre me apavora é aquele vídeo de instruções de segurança que passam durante a preparação para a decolagem. Ver todas aquelas pessoas calmas colocando a máscara de oxigênio é assustador porque vamos combinar, numa emergência, ninguém vai ficar calmo. E se acontecer uma emergência no avião é muito mais provável que você morra do que tenha tempo para colocar a máscara e utilizar o assento do avião como flutuador.
Claro que não vou deixar de viajar só por causa de um medinho à toa. Meu sonho de consumo, no entanto, seria ter uma companhia aérea que ofereça a quem não gosta de voar um serviço simples. A empresa deixaria o passageiro inconsciente no embarque e só o acordaria no destino final. Além de ser bom para quem voa, seria bom também para a empresa uma vez que a companhia iria economizar em refeições e em serviço de bordo.

mockup