Novela, para mim, tem que ser do Gilberto Braga ou do Manoel Carlos. Aquele esquema "ricos e pobres se encontram no Leblon", sabe? Mas como me interesso por qualquer fenômeno popular da hora, vira e mexe dou uma espiada em Caminho das Índias, mais uma comédia involuntária da faixa das oito (que na verdade começa às nove, mas enfim...).
Quem manja de cultura indiana garante que a trama presta um tremendo desserviço à audiência. Normal. Ou alguém já viu o Brasil ser retratado fielmente em algum filme gringo?
Sendo assim, não me horrorizo com a visão, digamos, primitiva que a autora tem do cotidiano local. Só fico pasmo com a variedade de sotaques ouvidos num único diálogo entre personagens daquele núcleo.
O Tony Ramos, por exemplo, continua falando como o grego de Belíssima. O Osmar Prado mais parece um turco. E o Lima Duarte... Bem, o Lima Duarte segue fazendo o de sempre: sendo Lima Duarte.
Depois de um tempo sem ver, ontem voltei à ativa. Que loucura! Que samba do crioulo doido!
Começo por uma cena em que o Tony Ramos (de novo ele) prepara um ritual místico para energizar sua loja. Corta para o Rio, onde o Bruno Gagliasso tem mais um ataque de esquizofrenia.
Corta de novo. Agora estamos em pleno evento de lançamento da grife Daspu (aquela, das pu...). Uma situação verídica, portanto. Na platéia, personagens da novela e gente da vida real. Preta Gil, Suzana Vieira, Carlinhos de Jesus, Priscila do BBB, etc. Eu disse "vida real"?
Mais um corte. Ana Beatriz Nogueira arma um barraco para cima de Totia Meirelles, primeira mulher do seu atual marido. Logo em seguida, Totia visita o ex, Antonio Caloni, na cadeia. Ele não pagou a pensão alimentícia das filhas. E dá-lhe outro tema social!
Dez horas. Vai começar um filme na tevê paga que eu quero ver há algum tempo. Interrompo, com um certo pesar, a minha dose homeopática, surreal e psicodélica de Caminho das Índias. Quando digo que o Brasil pode ser tudo, menos chato, ninguém me dá bola.

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