HISTÓRIAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de maio de 2009
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Quem é que faz as correntes? Eu ainda não conheci nenhum autor dessas inconvenientes historinhas que sempre terminam com uma chantagem emocional. Só sei que quando chega em mim, eu corto. Me recuso a acreditar que uma maldição irá se abater sobre a minha pessoa só porque eu não encaminhei o maldito do e-mail para outras 15 vítimas.
A estratégia antiga, feita inicialmente por cartas, teve seu potencial de alcance elevado ao infinito com a internet. Uau! Mas qual é a graça? Será que os criadores de correntes pertencem a uma sociedade secreta que compete para ver quem consegue ter a sua corrente mais difundida por aí? Ou isso tudo é obra de um grupo de psicólogos comportamentais que investiga, desde os primórdios, como o ser humano reage diante de uma situação limite? No caso: "Mando ou não mando? E se eu não mandar? Ah, arriscar não vai fazer mal". E deve ter aquele que passa adiante só para ver se a corrente funciona conforme o prometido.
Tudo bem, eu não considerei ainda a chance de tudo não passar de mera diversão. Ou de o fenômeno ter se tornado uma compulsão vaidosa solitária, na qual o autor curte anônimo o sucesso de sua obra. Ou o fato de as pessoas gostarem da brincadeira como um passatempo inocente. O leitor também pode levantar a hipótese de eu ter nascido com um déficit de espírito esportivo. Pode ser. O fato é que, se por acaso, você leitor for um confiante autor de correntes bem-sucedidas que morre de raiva quando alguém acaba com a brincadeira, você acaba de descobrir de quem é a culpa.


