HISTÓRIAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de março de 2009
Omar Godoy Equipe da Folha 
Coisas do Brasil. Dias desses, descobriram que um livro didático adotado nas escolas públicas de São Paulo trazia um mapa com dois "Paraguais" e sem o Equador. No jogo de empurra-empurra para apontar culpados, a fundação que produziu o material alegou que o problema foi de diagramação.
Ora, até um macaco sabe que um material não sai do computador do diagramador direto para a gráfica. Tampouco parte das prensas para as ruas. O processo é acompanhado por revisores e só se encerra com a aprovação de um responsável (editor, gestor, gerente, etc).
Por isso, o papo aqui não é a educação brasileira, um tema que por si só me dá sono. Prefiro tratar da tradição tupiniquim, arraigadíssima por sinal, de não assumir responsabilidades. Ou melhor: de transferir responsabilidades. Para os mais frágeis, claro.
Este ano completo uma década de profissão (sem contar os anos de estágios). Passei por redações de jornal, estúdios de rádio e tevê, ambientes corporativos, ONGs e repartições públicas. E sabe quantas vezes vi um chefe ser demitido por alguma falha da equipe?
Nunca. O gestor continua onde está ou é movimentado para outro setor. No máximo, é rebaixado de cargo. Em contrapartida, há sempre um laranja pronto para pagar o pato e rastejar no olho da rua. Alguém que pode até ter
errado, mas num nível bem distante do decisório.
Não me surpreenderei se a culpa pelos dois "Paraguais" acabar recaindo sobre a tia que faz a limpeza na fundação.
Coisas do Brasil.


