Coisas do Brasil. Dias desses, descobriram que um livro didático adotado nas escolas públicas de São Paulo trazia um mapa com dois "Paraguais" e sem o Equador. No jogo de empurra-empurra para apontar culpados, a fundação que produziu o material alegou que o problema foi de diagramação.
Ora, até um macaco sabe que um material não sai do computador do diagramador direto para a gráfica. Tampouco parte das prensas para as ruas. O processo é acompanhado por revisores e só se encerra com a aprovação de um responsável (editor, gestor, gerente, etc).
Por isso, o papo aqui não é a educação brasileira, um tema que por si só me dá sono. Prefiro tratar da tradição tupiniquim, arraigadíssima por sinal, de não assumir responsabilidades. Ou melhor: de transferir responsabilidades. Para os mais frágeis, claro.
Este ano completo uma década de profissão (sem contar os anos de estágios). Passei por redações de jornal, estúdios de rádio e tevê, ambientes corporativos, ONGs e repartições públicas. E sabe quantas vezes vi um chefe ser demitido por alguma falha da equipe?
Nunca. O gestor continua onde está ou é movimentado para outro setor. No máximo, é rebaixado de cargo. Em contrapartida, há sempre um laranja pronto para pagar o pato e rastejar no olho da rua. Alguém que pode até ter
errado, mas num nível bem distante do decisório.
Não me surpreenderei se a culpa pelos dois "Paraguais" acabar recaindo sobre a tia que faz a limpeza na fundação.
Coisas do Brasil.

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