HISTÓRIAS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de março de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
A diversão de um conhecido - vamos chamar ele de Pedro - é se amarrar numa corda e pular do alto de um guindaste, de uma ponte ou algo do gênero. Pedro gosta de sentir a adrenalina correndo nas veias. Volta e meia inventa algo diferente para "sentir aquele friozinho no estômago". E, de vez em quando, me pergunta: quando é que vou me divertir com ele?
Claro que respondo sempre que a vida anda agitada e estou com a agenda cheia. Mas a verdade é que eu já vivo perigosamente. Aliás, todo mundo vive. É só abrir o olho de manhã e pronto, já estamos correndo risco de morte. Pode ser que o prédio onde moramos tenha problemas estruturais. Pode ser que aquela revisão no freio no carro não tenha sido bem feita.
Viver no Brasil é viver no limite. Estamos no país do jeitinho ao invés da competência. Estamos sempre contando com a sorte. Por aqui, a porta do ônibus que não deveria nunca abrir com o veículo em movimento, abre e joga passageira para morte. O avião que deveria frear no fim do pouso, acelara em direção ao desastre.
As nossas estradas são tão mal projetadas que empurram os veículos para a ladeira ao invés de segurá-los na pista. Volta e meia a gente descobre que o leite longa vida, que vem com vitamina A, B e C, zinco e ferro vem também com água oxigenada e outros aditivos não tão saudáveis assim. O policial que deveria proteger é quem colabora com o assaltante.
E para adicionar emoção a esse cotidiano de adrenalina constante há quem colabore. Gente que fura o sinal sem nem reduzir a velocidade. Quem corre com o carro debaixo da chuva forte. É só você dar o azar de topar com um desses e pronto. Adeus. A diferença entre esses riscos e os que Pedrão corre é que ele calcula bem até onde se arriscar. Eu não. Estou sempre sendo surpreendida pelo inesperado.
Praticar esporte radical não é para mim. Preciso de emoções mais fortes. Talvez um dia, quando eu quiser descansar, relaxar, me distrair, vá pular de bungee jump em alguma ponte por aí. Sabe como é, é bom fazer algo calmo, tranquilo para variar um pouco.


