HISTÓRIAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de março de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Covardia não é o maior bater no menor, como se costuma dizer. No dicionário, covarde é quem não tem coragem - talvez a grande virtude humana, acima de todas as outras.
Porque sem ela nada ganha forma. É preciso ter coragem para começar, acabar, aceitar, negar, avançar, recuar, admitir, mudar, etc. Como disse a escritora Anas Nin, A vida se contrai e se expande proporcionalmente à coragem do indivíduo.
Em um dos diálogos do filme Waking Life (se você curte uma filosofia de boteco, alugue hoje!), um personagem pergunta para outro: Qual a característica mais universal do ser humano, o medo ou a preguiça?. Seja qual for a resposta, são os dois maiores obstáculos para uma existência razoável. Quando se juntam, então, sai de baixo...
Medo e preguiça têm a ver com conforto, segurança. E quantos não se frustam todos os dias simplesmente por serem incapazes de ousar? Para não sentir (ou provocar) dor, costumamos ficar onde estamos, do jeito que estamos - e seguimos sofrendo da mesma forma.
A verdade é que, nestes tempos de pagou-levou, ninguém quer enfrentar a dor. Para que resolver a vida agora se posso tomar um Rivotril? Mas sofrer, como diria aquele grande pensador, faz parte. Já o efeito do remédio logo passa.
Uma última citação, do escritor D.H. Lawrence: Nunca vi um animal selvagem sentir pena de si mesmo. Ok, não somos selvagens. Ou somos?


