A ironia é uma arte. Precisa inspiração e audácia. Precisa treino também. Algumas pessoas dominam a técnica da oratória e são experts no timing necessário para fazer a tirada "pegar".
Essas pessoas, as irônicas, são geniais. Uma conversa com elas é uma diversão, se eu não sou o alvo da vez. Algumas são tão convincentes que é preciso alguns segundos para tentar ler na expressão facial se aquilo realmente foi intencional.
Humoristas, desses da moda do stand-Up, são bons em ironia. E não medem esforços usando imitações, vozes e histórias elaboradas para que enxerguemos piada no que deveria ser, muitas vezes, trágico.
Às vezes ela existe sem nenhuma palavra. Quando se conhece o interlocutor, é possível captar a ironia com uma simples levantada de sobrancelha ou virada de olhos.
Mas, irônicos, mesmo, são aqueles que, na maioria das vezes, não têm a menor intenção de sê-los. Não é hilário quando um político se faz de coitadinho para justificar a incorporação de verba indenizatória no seu salário porque acha que tem todo o direito de gastar o dinheiro do povo sem dar nenhuma explicação? Quer ironia melhor que essa?
Ou quando ouvimos nosso representante dizendo que precisa de grana para bancar a escola dos filhos, sendo que o mais jovem deles já tem idade para ter completado a quinta faculdade. Por que ninguém riu da piada?
Os políticos não são os únicos. Advogados, médicos, engenheiros, secretárias e - por que não? - jornalistas são mestres em irônia involuntária. Aqui, leio como ironia qualquer mentirinha deslavada que já sabemos que ninguém está comprando. E mesmo assim, todos insistimos em usá-las... Força do hábito.

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