HISTÓRIAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Fábio Galão<BR> Equipe da Folha 
Que Paulista, que nada! O melhor Campeonato Estadual do País é o Catarinense. É um torneiozinho pequeno, com apenas 10 times. É improvável que a maior parte de suas equipes conseguisse sobreviver no ambiente inóspito do Campeonato Paulista. Mas o que torna o Catarinense o melhor Estadual do Brasil é o equilíbrio.
Nos outros estaduais, o campeonato se limita a um constrangedor e tedioso espetáculo de todos-contra-a-Capital. E o interior quase sempre se dá mal: afinal, para montar time bom é preciso ter dinheiro, e onde está o dinheiro? Nas capitais, historicamente privilegiadas na divisão da caixinha.
Em Santa Catarina, é diferente. Os times do interior com frequência aprontam para cima do Avaí e do Figueirense, as equipes da Capital. Os dois são os maiores vencedores do Catarinense (com 13 e 15 taças, respectivamente), mas são seguidos de perto por Joinville (12) e Criciúma (9), dois clubes fundados bem depois da dupla de Florianópolis. Outros times interioranos já foram campeões (Chapecoense, Brusque) ou pelos menos chegaram à final. E o único time do Estado vizinho a ostentar um título nacional relevante é do interior: o Criciúma, campeão da Copa do Brasil de 1991.
No dia em que escrevi este texto, a classificação do Catarinense estava amplamente dominada por equipes de fora de Floripa. O Joinville liderava, e a seguir vinham Criciúma, Hermann Aichinger, de Ibirama, e Marcílio Dias, de Itajaí. O primeiro time de Floripa na tabela era o Avaí, o quinto. O Figueirense amargava uma vexatória oitava posição. Dê uma pesquisada na classificação atual dos outros principais estaduais do Brasil: muito dificilmente você vai encontrar uma equipe do interior liderando.
Com cortesia do meu pay-per-view, vi nos últimos dias dois jogos do Catarinense: Brusque 3 x 0 Joinville e Criciúma 5 x 2 Chapecoense. Foram duas partidas melhores do que qualquer uma das que vi do Paranaense até agora (e vi muitas, por razões profissionais e pessoais). Não só pelo nível técnico, mas pela mobilização das torcidas: estádios cheios, rivalidade, paixão, disputa de verdade. O Catarinense é um regional que realmente envolve o Estado inteiro - por isso, talvez seja o único do País que mereça de verdade o designativo "Estadual". Um fenômeno, ainda mais considerando que, a exemplo dos paranaenses, os catarinas torcem mais para times de fora do que para as equipes locais.
Não é difícil entender as razões desse envolvimento. Basta citar que em Santa Catarina a maior cidade do Estado não é a capital, lá não existe nenhuma grande metrópole e Florianópolis divide tranquilamente influência com vários pólos regionais importantes.
O problema é que nos últimos anos o futebol catarinense anda espelhando os piores vícios do futebol do resto do País. Os dois times da Capital são os únicos a frequentar a Primeira Divisão do Brasileiro, enquanto Joinville e Criciúma, as forças do interior, perderam espaço. De tal forma que o próprio Catarinense ameaça mergulhar na chatice: o Figueirense andou ganhando muitos estaduais... Tomara que essa tendência não se perpetue. Só assim para o Catarinense continuar sendo o melhor Estadual do Brasil.


