HISTÓRIAS
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Cada vez mais populares em Curitiba, os Mini Matsuris são festivais promovidos pela comunidade japonesa para o público jovem. Realizados mensalmente, atraem centenas de otakus - fãs de animes, mangás, cosplay e outras manifestações da cultura pop nipônica. Um pessoal na faixa etária entre 15 e 25 anos, que se mistura com outras tribos menos votadas numa ''festa estranha, com gente esquisita'', como diria a letra da música.
O palco desses encontros, a Praça do Japão, ficou pequeno demais para a turma. A vizinhança reclamou da bagunça e os organizadores decidiram cancelar os Mini Matsuris de janeiro e fevereiro, enquanto reformulam o evento. O problema, e sua repercussão na internet e no jornal do bairro, foi tema de uma matéria que fiz para a FOLHA.
No texto, comparei os protestos contra os Matsuris à proibição da entrada dos vileiros nos shoppings centers. Em ambos os casos, vem à tona a falta de opções de lazer gratuitas para a juventude. E quando há programas do gênero, a sociedade não sabe como controlar a garotada.
Mas prefiro falar, aqui, sobre outro assunto igualmente importante: o surgimento de um fenômeno cultural. Está nascendo, diante de nossos olhos, uma nova e numerosa tribo, formada por jovens que têm em comum a inadequação. Em uma época de obsessão pelo sucesso, fama e beleza, a turma da Praça do Japão assume sua parcela ''loser'' - e se diverte com isso.
Não à toa, os heróis japoneses que eles cultuam são extremamente ordinários, cheios de defeitos e manias. O contrário dos ícones ocidentais, perfeitos em sua luta maniqueísta contra o mal. Para os otakus, emos, nerds, góticos e afins, o barato é realçar o bizarro, o grotesco, e jogar essas diferenças na cara dos outros. Ou seja: querem mesmo impressionar.
Eles são esquisitos, soturnos e desengonçados. E estão dominando a paisagem urbana. Aguardem cenas dos próximos capítulos.


