Omar Godoy
Equipe da Folha
Adoro o Big Brother. Tenho um interesse quase antropológico por aquilo. Qualquer profissional da área de comunicação deveria ter.
No tempo em que dava aulas numa faculdade, ficava pasmo quando algum aluno esnobava o programa. ''O que você está fazendo aqui, então?'', eu retrucava. ''Acho que está na sala errada. O curso de Contabilidade é no outro prédio''.
Mas cada um sabe de si. Da minha parte, faço inúmeras leituras sobre o reality show. A começar pela de que o BBB virou uma espécie de esporte nacional de verão, um raro passatempo capaz de unir famílias, faixas etárias e estratos sociais.
Também gosto de pensar no Big Brother como uma radiografia da classe média brasileira. Por meio do show, o país foi apresentado a uma galeria de novas profissões: o DJ, a promoter, o sushiman, a lutadora de vale-tudo, o massoterapeuta, o artista plástico. Quem se identificava assim há 15 anos?
É claro que não poderia faltar a leitura apocalíptica. Você olha para a tevê embasbacado com aquelas cobaias humanas e pensa: ''Meu Deus! Onde é que a gente foi parar?''. E por aí vai, a depender do humor do dia.
Conheço muitos que odiavam o programa e depois mudaram de opinião. Mas vira e mexe ainda aparece um patrulheiro do bom gosto em defesa da ''qualidade na televisão'' (como se isso pudesse ser medido). Nessas horas, nada melhor do que soltar uma frase de efeito bem cínica, só para irritar o interlocutor.
Minha preferida é ''Não culpe o jogador, culpe o jogo''. Mais humor e menos rancor, please.

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