HISTÓRIAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba não tem a mínima vocação para festas. Além de não termos inventado nossas próprias celebrações, conseguimos renegar aquelas tão comemoradas em nossos vizinhos. Mesmo São Paulo, terra séria de viciados em trabalho que não para nunca, conseguiu emplacar um carnaval bem sucedido. E aqui nada.
No Réveillon, vi um levantamento que apenas três restaurantes estariam abertos na cidade. Não acreditei totalmente no número, mas acho que a realidade não estava tão distante disso. Se um turista chegasse à cidade poucos dias antes do Ano Novo e perguntasse a você, "onde é o local da queima de fogos e festa da virada?", o que você responderia?
O mesmo vale para o Carnaval. O Carnaval curitibano não cresce. Parece, sim, que diminui de tamanho. Lembro de, quando criança, ir a avenida Marechal Deodoro na matinê dos pequenos. Hoje, isso ainda existe? Será que é aqui que está o verdadeiro túmulo do samba?
Os curitibanos fazem festa. Não nego isso. Mas Curitiba não faz festas para seus curitibanos. Temos as chamadas cena sertaneja, cena rock, cena hip-hop, cena rave. Até uma boa cena samba. Mas garanto que, no Carnaval, grande parte dos sambistas curitibanos vão arrastar suas sandálias em outras praças, que não as da Capital paranaense.
A verdade é que Curitiba não quer ser reconhecida como uma cidade festeira. Ela prefere ser sóbria, cinza. Festas, só atreladas a eventos culturais que, aí sim, devem ser atração para quem vê de fora. Somos a Capital da música em janeiro, a Capital do teatro em março e quase uma Capital do Natal em dezembro.
Mas, na hora de parar tudo para uma sonzeira nas ruas e gente sacudindo os braços de um lado para o outro, até a pequena Antonina, tão quieta na maior parte dos dias, dá um baile na cidade sorriso. Sorriso, não risada.


