Quem tem boca vaia Roma. Existem pessoas que falam da vida e o fazem maravilhosamente bem. Eu falo da vida por meio de livros pois a minha vida sempre foi muito mais lida que vivida. Não sei se é escolha ou condição. A minha, até agora, foi assim. Não reclamo - até agradeço, de certa forma. Pode parecer triste - e é - mas não é. Ideal seria mesclar as duas forma de se viver - mas quem disse que a vida é ideal?
O mito do minotauro, por exemplo, a mim me é muito mais significativo que as ações do secretário de segurança pública, por exemplo - ainda que as decisões do secretário tenham um reflexo muito mais imediato em minha vida vivida que o mito do minotauro. A existência de um secretário de segurança pública, eu não a imaginava. Já o minotauro cozinha dentro de mim desde sempre; é latente, sempre existiu - mugindo, feito um câncer. O secretário de segurança pública, não. Mesmo que exista, ele vai passar e outros virão. Ele é a cura. O minotauro, não.
É preciso explicar, mesmo que as pessoas não entendam - principalmente você, que não me conhece e não sabe da minha vida. Da mesma forma, é preciso confundir. E negar. Tudo isso tem apenas uma função e um objetivo: obviamente que estes são o fato de não se chegar a lugar nenhum. Ainda que desprovida de sentido, é preciso não se entregar, é preciso vaiar Roma. O motivo? Só o fato de se ter uma boca é uma boa explicação, mas também a mais rasteira.
Há quem beba éter ou cheire cocaína. Eu antes tomava tristeza, hoje sorvo alegria. Qual foi o motivo que me levou a dizer tudo isso e escrever estas palavras? Não sei e a vida tem desses mistérios.

mockup