HISTÓRIAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Diogo Cavazotti<br> Equipe da Folha 
Solange salvou meu início de noite. Naquele dia eu estava um pouco irritado. Sabe quando você acorda sem muita paciência e fica chato por qualquer coisa? Eu não me sentia bem nesse dia. E não adianta me chamar de mal humorado pois com certeza você já passou por um dia desses. São vários motivos que ocasionam a falta de humor: acordar atrasado, perder o ônibus, o cobrador reclamar da falta de troco, o ônibus cheio, passageiros do transporte público mal educados, aumento da passagem, motorista que não liga o pisca alerta, pessoas que passeiam com os cachorros e não recolhem o cocô, entre muitos e muitos outros motivos.
Pois foi quando entrei no mercado e, ao começar a passar os produtos pelo caixa, Solange abriu um sorriso e disse ''boa noite''. Ela pegou a caixa de barras de cereais e passou na máquina registradora. Quando Solange viu o preço promocional, comentou que realmente estava barato e que ela própria iria aproveitar.
No resto dos minutos que me atendeu continuamos a conversar sobre assuntos diversos, sem nunca perder o sorriso na cara. Solange aparenta ter aproximadamente 50 anos. Os cabelos batem no ombro e estão arrumados de forma humilde. A roupa é simples.
O cartão para eu pagar insistia em não passar na maquininha. Mesmo assim Solange não deixava de mostrar os dentes. Depois de cinco tentativas finalmente passou, e neste momento ela sorriu ainda mais, enquanto conversava sobre assuntos triviais.
Foi uma experiência rápida mas me lembro até agora da sensação de quando saí do mercado. Cheguei em casa e até meu relacionamento com as outras pessoas melhorou naquele dia. Se uma desconhecida me tratou tão bem, qual o motivo de eu não poder fazer o mesmo até mesmo com quem eu conheço?


