Promessas de Ano Novo são sempre as mesmas. Eu não prometi nada. Como não prometi, não terei que cumprir. É um bom passo para que o ano comece bem, sem preocupações, sem ilusões.
Não pulei três ondas, não comi sete uvas, nem comi lentilha, com uma cédula de real em baixo do prato. Também não me vesti obrigatoriamente de branco ou qualquer outra cor que signifique alguma coisa.
Mas não será por isso que meu ano não terá metas, planejamento e objetivos. Não me importa se Iemanjá ficará brava se eu não jogar uma moeda no mar, muito menos se eu não molhar os pés na água salgada.
O tal do Ano Novo acontece diariamente. Todo dia um ano se completa. Não desejei felicidades para mais de uma dezena de pessoas em poucos minutos do ano. É uma chatice tremenda.
É pior do que receber parabéns no dia do aniversário. Aliás, comemoramos mais um ano no dia do aniversário também. Champagne para todo lado, bêbados para lá e para cá, enquanto o som ensurdecedor dos fogos de artifício assustam cães e incomodam chatos como eu.
Voltar para casa com a roupa fedendo respingos de cidras não é parte do que eu quero no Ano Novo. Não sei mais o que dizer. Foram 13 ''nãos'' no texto inteiro. Deve ter algum significado. Espero que não (14 ''nãos'') seja um sinal de negativismo. Afinal, o ano está começando e não (15 ''nãos'') quero que nada dê errado.

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