HISTÓRIAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de janeiro de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Marcela Rocha Mendes
Equipe da Folha
Lá vem eles. Nem acredito que terei de aturá-los por mais um ano. A cada término, eu tenho esperanças de que estaria tudo acabado. Mas, não está. Já em outubro ouço murmúrios de que eles estarão de volta. Em novembro tenho a confirmação. E janeiro chega a hora.
Não sou um exemplo de bom gosto. Mas nem por isso me rendi a essa baboseira. A cada ano me convenço de que o negócio não presta mesmo. E toda vez parece que, finalmente, as pessoas também vão se convencer. No começo, muitos dizem que não irão dar bola. O que mais ouço é: esse ano está o pior de todos.
Mas passa algumas semanas e fica todo mundo vidrado. Também, a pressão é fortíssima. Eles acabam aparecendo em todos os cantos. Em todas as conversas. Ou você conhece, ou está "out".
Confesso que até eu acabo me envolvendo. Me entregar, jamais. Mas, me envolver é outro papo. Sempre descubro uma coisa ou outra sobre eles (geralmente coisas ruins, que é o que mais me atrai). E acabo entrando em discussões sobre o assunto. Entro para falar mal. Mas falo.
São três meses que torço para passar rápido. O ápice sempre acontece por volta do Carnaval, quando minha irritação atinge seu estágio máximo. Coitados dos meus amigos, sei que não é culpa deles. Mas a raiva é dirigida a eles. Por me fazerem conviver com esse "troço" que eu queria tanto me ver longe.
Mas, infelizmente, janeiro chegou. E eles vieram. Meus invasores indesejados pelos próximos três meses. O pior é, dentre os vários elogios não merecidos que ouço eles receberem, o nome deles. Um nome que me dá arrepio. Nem em um milhão de anos considero-os meus parentes. Muito menos meus irmãos. Quanto mais meus grandes irmãos. Argh!


