Tive de ir para a guerra na semana passada. Aos 47 do segundo tempo, vesti meu colete à prova de balas e parti para uma das tarefas mais ingratas do ano: fazer as compras de Natal.
Não que presentear a família seja algo desagradável. Mas a obrigação de comprar qualquer coisa, seja lá o que for, só para cumprir o protocolo me desanima. Ainda mais nestes tempos de crise econômica.
Crise? A julgar pelo movimento nos shoppings, o Brasil está imune à recessão mundial. Quanta ilusão... Quando os estoques atuais (comprados antes do pepino aparecer) acabarem, aí a gente vai ver o tamanho do problema.
Talvez as pessoas até saibam o que as espera. Nesse caso, é como se o inconsciente coletivo gritasse: ''Gastem agora, porque no ano que vem não vai dar!''. Seja como for, senti vontade de correr pelas lojas impedindo o povo de consumir além da conta.
Da minha parte, gastei apenas o que tinha e começo 2009 sem dívidas. E quando alguém me pergunta como isso é possível, não cito o meu exemplo. Conto a história de um amigo do meu pai.
Enrolado com bancos e credores, ele aproveitou a virada de ano para se auto-impor o desafio de sanar as finanças. Para começar a operação, realizou um ato simbólico.
Sacou os últimos trocados de sua conta e comprou uma tesoura. Em seguida, chamou a mulher e os filhos e, diante de todos, picotou os cartões de crédito da família. Dali para frente, as contas da casa entraram nos eixos. Como diz aquela música do Alceu Valença: ''Foi a tesoura do desejo/Desejo mesmo de mudar''.
Pensando bem, a simbologia serve para outros desafios: emagrecer, curar-se de um vício, trocar de emprego, parar de se envolver afetivamente com as pessoas erradas, etc. Na dúvida, corte!

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