No início era o grunido. Então o grunido ganhou sentido e virou palavra, que naquele momento de nossa escala evolutiva serviam para designar uma pequena quantidade de coisas (como mamutes, relâmpagos e outros elementos naturais). "Gnahh huuuw trhaaa", seria algo como "Depois eu pinto essa parede da caverna, agora vou com meu chegado ali no poço de piche roubar uns ovos de dinossauro".
O tempo passou e a linguagem se aperfeiçoou, ganhou forma escrita e uma infinidade de regras para que as palavras pudessem conviver em paz entre si e designar o mundo da melhor forma possível (o que não pouco se revela impossível). Como a comunicação ocorre no domínio do encontro, a palavra passou a nortear também a convivência humana, seja entre interlocutores, ou entre emissores e receptores.
Mas eis que a civilização é feita de ciclos e noto que as coisas começam a voltar à sua origem ancestral. Você quer ver só? Você sabe de onde vem a palavra "você"? No início a expressão usada para designar o interlocutor de alguém era "vossa mercê". Os anos passaram e o termo foi abreviado para "vosmecê", até chegar aos dias atuais como "você". Ou seja, em alguns poucos séculos perdeu seis letras de sua forma original. E ainda deve perder mais.
Basta observarmos a linguagem usada na internet, em chats e programas de mensagens instantâneas, como MSN, para conferir que "você" já foi dilapidado em mais duas letras (logo as vogais, coitado) e passou a ser "vc". Logo você passará a ser apenas "v", chegando assim ao limite da abreviação e voltando para o grunido inicial.
Nada mais natural. Não dizem por aí os filólogos e outros bichos que a língua é uma coisa viva? Como toda coisa viva, ela nasce, cresce, se reproduz e por fim...

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