Na reportagem da FOLHA desde maio deste ano, tenho mantido uma certa "linha de pesquisa" em minhas matérias. Quase todas tratam de subculturas, tribos urbanas, estilos de vida alternativos, novas religiões, etc. Um dia-a-dia marcado por imersões em pequenos universos habitados por gente comum, mas que acredita fazer parte de algo maior, importante.
Num primeiro momento, pensei que a adesão a esses grupos fosse motivada pela carência (as afinidades seriam apenas uma "desculpa"). Até certo ponto, isso procede. Cansadas de relações superficiais, as pessoas encontram nas tribos uma espécie de porto seguro. É o antídoto perfeito para o eterno "Vamos combinar alguma coisa", que nós tanto repetimos e nunca concretizamos.
Com o tempo, percebi vários outros fatores em comum entre as manifestações investigadas. Hoje, tenho bem claro o principal deles: a busca por experiências intensas. Não importa se o sujeito frequenta uma seita apocalíptica ou um clube de swing. O que vale é transcender ao banal. "Antes, minha vida era trabalhar e ver novela", costumam dizer nove entre dez entrevistados.
Da minha parte, prefiro manter a isenção (o conceito de imparcialidade, como se sabe, é uma balela). Respeito o repórter que pula de pára-quedas para relatar a sensação, mas sou de outra praia. Fico no avião, bem perto da porta, conversando com quem vai saltar e anotando tudo num caderno. Se pudesse, seria invisível.
Voyeurismo jornalístico? Talvez. Vai ver, esse é o meu jeito de também buscar o intenso, o transcendente. No mais, produzo as matérias que gostaria de ler, na esperança de que alguém tenha o mesmo tipo de curiosidade. Quando isso acabar, tentarei o comércio.

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