HISTÓRIAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de dezembro de 2008
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Mãos à obra
Há tempos não se via uma mobilização tão grande em torno de uma causa por estas bandas. A tragédia em Santa Catarina, com todo seu horror, deu a quem ficou do lado de fora da catástrofe a chance de mostrar sua face mais luminosa: a solidariedade.
Além da mobilização dos órgãos oficiais, em escritórios de trabalho, casas, agências bancárias, lojas e shopping centers espalhados pela cidade foram improvisados postos de coleta. Cartazes também improvisados incentivam as doações pela cidade.
Voluntários arregaçam as mangas e ajudam bombeiros a carregar caminhões, arriscam pegar a estrada e levar pessoalmente sacolas com roupas, comida, água potável. Entidades de proteção aos animais se mobilizam para resgatar os bichos que ficaram ilhados ou foram deixados pra trás.
Mesmo quem tem pouco para dar - ou acha que tem pouco - junta uma sacolinha com camisetas, um tubo de pasta de dentes, um tênis, alguns lençóis. E de sacola em sacola são caminhões e caminhões de doações.
Tem também quem ajuda com o próprio trabalho. É voluntário para limpar banheiro de abrigo, voluntário para entreter com brincadeiras crianças que mal têm onde dormir. Ou simplesmente dar um sorriso e um olhar de apoio para quem viu familiares e tudo o que tinha ser levado pela enxurrada.
Em apenas poucos dias, catarinenses perderam a vida, familiares, casas, carros, móveis. Uma experiência difícil de mensurar para quem acompanha o drama pela TV ou pelas páginas dos jornais.
Quando este texto foi escrito, as doações na cidade já somavam mais de 500 toneladas em roupas, comida, água, cobertores, colchões, produtos de higiene e limpeza.
Apesar dos horrores deste mundo e da frequente falta de humanidade da humanidade, ainda há esperança. Nem que seja mais visível apenas na desgraça. E, por poder fazer tão pouco em relação ao tamanho da tragédia, ninguém deve se omitir.


