HISTÓRIAS
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Só consegui passar no teste prático do Detran na quarta tentativa. Pois é, sou motivo de chacota entre meus amigos e familiares até hoje. Mas posso garantir que não dirijo tão mal assim. Sempre que toco nesse assunto preciso passar por uma longa história, em que explico cada um dos testes.
O primeiro foi o mais desastroso de todos. Depois de sair ilesa da baliza, em uma das primeiras ruas por onde passei, um cavalo trotava tranquilamente pelo meio da via. Receiosa, parei para esperar um pouquinho e desviar. ''Não precisava ter parado, só reduzido'', me advertiu a examinadora. Mais adiante, após a temida rampa perto do terminal do Campina do Siqueira, já sentindo que o teste estava para acabar, passei direto por uma preferencial. A examinadora usou o freio em frente ao banco do carona e o carro morreu no meio do cruzamento. Não podia sair dali porque precisava aguardar uma senhora atravessar a rua em uma cadeira de rodas. Resultado: Será que não dá pra imaginar?
A segunda reprovação foi sacanagem. O examinador implicou com coisinhas bobas, pois não cometi nenhum erro grave. Revoltadíssima, segui rumo à terceira reprovação. Desta vez foi a baliza. Com as pernas bambas e morrendo de medo de subir na calçada, arrastei o protótipo por alguns centímetros. Que sensação horrível! Parece que não tive oportunidade de terminar, foi como se não tivesse feito o teste. Quase chorei.
No quarto teste reprovei no quesito cidadania. Mesmo finalmente conseguindo minha carteira de motorista, perdi a oportunidade de denunciar o meu instrutor da auto-escola. Como não aguentava mais ir ao Detran uma vez por mês e desembolsar quase R$ 100,00, me vi obrigada a comprar mais aulas. De brinde recebi uma proposta de que pagando R$ 50,00 conseguiria passar. ''Tudo muito discreto'', me garantiu o corrupto, que antes ainda perguntou se dependia financeiramente dos meus pais, o que complicaria o pagamento da oferta, pois os pais poderiam se revoltar.
Naquele dia, senti-me muito mal. Recusei a proposta e consegui passar no teste por conta. Já não era sem tempo. Tive a leve impressão de que minha colega de teste pagou, pois ela seguiu todos os passos apresentados pelo instrutor no dia anterior. Até hoje penso que deveria ter denunciado o homem. Será que ainda dá tempo? Mas por outro lado, tive a oportunidade de praticar mais a direção e garanto que não sou barbeira!


