Concordo com quase todos os argumentos anticonsumistas. Mas gostaria de contribuir com outro: comprar dá dor de cabeça. Cada vez mais, adquirir um bem durável ou contratar qualquer tipo de serviço é sinônimo de incomodação.
Comprou uma geladeira? Ela provavelmente não será entregue no dia combinado. Se for, chegará com algum defeito. Financiou um apartamento? O contrato do banco certamente terá de ser corrigido. Assinou um serviço de TV por assinatura? Prepare-se para receber várias visitas do técnico até que a instalação esteja de acordo com o prometido.
Não adianta culpar o vendedor, a atendente do call center, o gerente ou o papa. Porque eu garanto que no seu emprego as coisas também não funcionam como deveriam. Da mesma forma, não vale atribuir o problema ao ''sistema'', essa entidade quase abstrata. A verdade é que as grandes companhias, com louváveis exceções, produzem e vendem mais do que sua estrutura realmente permite - daí a falta de qualidade generalizada.
Por essas e outras, fico com a tese do americano Jeff Bezos, ex-diretor da loja virtual Amazon e autor do livro The Best Service is no Service (O Melhor Serviço é o Não Serviço). Para ele, o consumidor está satisfeito quando não precisa entrar em contato com a empresa. Quer se relacionar com o produto, e não com a loja.
Ciente disso, Bezos passou a modificar os serviços prestados pela Amazon a cada nova reclamação dos clientes. Com o tempo, o número de ligações diminuiu consideravelmente. Que surpresa, não?
Se todos os executivos agissem assim, o nível de estresse da população mundial seria bem menor. E as grandes empresas não perderiam clientes como eu - que consumo menos do que poderia simplesmente para não me incomodar.

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