Não basta ter um celular. Os menos privilegiados em tecnologia têm um com acesso à internet. Depois vem aqueles que têm o telefone móvel e um aparelho de MP3. Quem está mais acima na cadeia tecno-evolutiva tem o celular, o MP3 e um palmtop. No quarto degrau estão os dotados de celular, ipod e notebook, com acesso 3G. Às vezes também com palmtop. Os habitantes do ápice da pirâmide tecno-chique tem um iphone. E o notebook.
É uma diversão ver essas pessoas plugadas lidando com todos os seus aparatos eletrônicos ao mesmo tempo. Já cheguei a ver gente teclando no "note", enquanto falava no celular, sentado na escrivaninha com o CPU ligado. É como se ele desligasse por um minuto os plugs, estaria condenado ao ostracismo moderno, a ignorância informacional.
Esses "seres" são tão conectados que sabem de tudo. Mas se houver uma queda de energia, 50% de seus cérebros são apagados também. E, aos poucos, todos viramos um deles. Porque só não tem MP3, palmtop, ipod, notebook e iphone quem ainda não pode pagar. Quando a tecnologia (que um dia foi) de ponta virar commodity, todo mundo vai carregar, na mochila ou bolsa, a parafernália equivalente ao departamento de informática de um escritório completo no início da década de 90.
Ok, ok. Ressentimento puro. Não tenho palmtop. Nem ipod. Nem notebook. Muito menos iphone. Tenho um celular (agora tenho!) que liga, recebe ligação e manda mensagem. Para falar a verdade, esses objetos não são minhas prioridades de consumo neste momento. Mas espero, um dia, tê-los. E, aí sim, deixarei o limbo digital.

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