HISTÓRIAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de novembro de 2008
Rafael Urban<br>Equipe da Folha 
Um dia Mariana encontrou a porta fechada. Era uma casa tudo menos estranha aos olhos de Marian e a situação, tampouco engraçada. Poucas horas antes, Maria brigou com Maurício ao telefone. Quando viu a porta fechada, Mari acreditou que Maurici tivesse trocado a fechadura. Mar não teve dúvidas, telefonou. Mauri atendeu como se não fosse com ele, disse: alô, quem fala. Ma refletiu. Maur sorriu ao ver a porta fechada. E, sentado no sofá, Maú pensou sobre a sua vida e aquele momento. M. não sabia que ele estava lá dentro. M. sabia que ela estava lá fora. M. sofreu com a voz de quem finge não saber quem está chamando. M. se arrependeu por breves instantes, por fim, ouviu: sou eu, estou aqui fora. M. falou que estava lá fora e ouviu o silêncio como resposta. M. não sabia o que fazer. M. decidiu acreditar que ele estava lá dentro, abriu a porta, tentou abrir a porta. M. tremeu, ser descoberto não estava nos planos. M. sorriu ao notar que o silêncio continuado não era sinal ruim. M., depois de instantes que não foram contados no tic-tac do relógio que levava no pulso, disse, eu sei que é você. M. sentiu um calor por dentro. M. ficou irritado por ter dito o que disse. M. ficou feliz pelas palavras que ouviu, respondeu com eu sei que você sabe. M. ainda ouviu a frase quero saber se a porta ainda está aberta. M. respondeu que sim, a chave está nas suas mãos. M. não entendeu. M. do sofá ouviu a chave girar. M. se viu surpresa, a porta abriu. M. sentiu no ar a hesitação ao abrir da porta. M. abriu e olhou nos olhos. M. sentiu o olhar em sua direção, retribuiu. M. sorriu. M. disse, aprendi no exército, método que obstrui primeira tentativa de abertura, na segunda, abre. M. se pergunta o porquê. M. não ouve pergunta alguma. M. anda em sua direção. M. mexe os braços como um convite ao colo. M. senta no colo. M. sorri. M. sorri. M. abraça. M. se entrega. M. silencia. M. beija. M. abraça. M. deixa acontecer. M. se pergunta se já gostou de alguém tanto assim, não tem resposta. M. se pergunta por quanto tempo aquele abraço vai durar, espera que seja para sempre. M. pergunta, quer jantar. M. responde que sim.


