Pô, foi voltando para casa que fiquei indeciso de vez. Pagar aluguel para sempre e ser livre para mudar de casa, estado ou país, ou comprar uma casa para jamais sair dali. Fiquei com a primeira opção. Hoje vivo na capital legislativa da África do Sul, a Cidade do Cabo.
Mas estou logo de mudança. Preciso decidir se para cima ou para baixo no mapa. Vamos lá. Cara ou coroa. Coroa vai me levar para um país ao norte, qualquer um deles que tiver monarquia como regime. Cara, para outro ainda mais ao Sul. Deu cara. Hora de voltar ao Brasil. Morar em Cascavelzinho, cidade pequena do interior do Paraná - nada que ver com Cascavel.
Vou deixar para trás os eletrodomésticos, o laptop, o videogame. Os livros em inglês, a namorada e o aquário com peixes ornamentais - que fica de presente para o filho do vizinho que escreveu uma carta para Papai Noel no Natal passado em que pedia um igual. Lina foi dessas mulheres que tornam a vida de uma pessoa mais aprazível. Mas, tenho certeza, não dá para seguir em frente carregando parte do passado nas costas. Para Lina, deixo uma carta em que explico que não volto.
A casa com aluguel barato fica para o Jack, pessoa das mais legais que conheci na vida. As economias desses anos no continente africano são presente para a Ruillna. Acredito que vale à pena jogar umas fichas em seus sonhos de mudar o mundo. Tenho me dedicado em mudar o meu próprio e é esse o meu destino a cada par de anos; começar tudo de novo, como se fosse da primeira vez.
Desde a aventura original, há 20 anos, somente agora retorno ao Brasil. Me comprometo a conhecer o entorno, viver ao extremo o local. Até a hora de partir. Vivo como se fosse para ficar para sempre. Não valeria à pena de outro modo. Até agora, não me cansei. E estou curioso para saber como será viver tudo de novo, desta vez em Cascavelzinho.

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