Algumas cervejas depois, o Neco sempre virava Maneco. Imitava o Pato Donald e começava a contar histórias à Forrest Gump. Dessas de pescador. Acompanhe.

- Cara, sensacional.
- Sensacional o quê, Neco?
- Sensacional a loira com quem passei a noite.
- Você fala da mulher do filme que você assistiu?
- Você tá louco? Estou falando da mulher incrível, dessas cremosas mesmo, com quem passei a madruga inteira sem dormir.
- Cremosa, Neco? Que jeito esquisito de dizer que uma mulher é show.
- Ah, é meu jeito uai. Indescritível ela. Sei lá.
- Você é surpreendente, hein, Neco? Passa dia, passa outro dia, e você com uma mulher mais incrível que a outra. Quando vai me apresentar uma delas?
- Na data que eu chamar uma delas de namorada. Mas para mim, figurinha repetida não vale. Gosto de completar o álbum com novas faces. Entendeu?
- Só não entendi a graça.
- Ah, eu também não sei direito. Por sinal, cara, você acabou de me deixar em crise. Assim, de repente, senti um vazio. O que será de mim?
- Sei, Neco, conta outra.
- A outra chama-se Maricleide. Foi anteontem.
- E aí, vai engatar um namoro?
- Nada, isso aí está fora de moda. Fora da minha ao menos. E você?
- Neco, não vamos mudar o foco e agora ele está em você. E a loira de ontem?
- Fabiane é o nome. Parei no ponto de ônibus, desci do carro, ofereci carona. Simples assim. Foi legal, mas já foi. Tou partindo para a próxima.
- E qual vai ser?
- A garçonete. Perguntei o telefone e ela escreveu no cardápio. Esperta, não?
- Tem coisas que você só acredita vendo. Estou impressionado. E qual o nome dela?
- Não sei, ela não escreveu. Só pedi telefone e o horário que ela vai sair. Como você vê, está escrito 22h15. Temos meia hora para conversar.
- Sei, lá. Você não sente falta de um relacionamento mais sólido?
- Sinto falta de jogar futebol e brincar de amarelinha e esconde-esconde. Essas coisas de criança.

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